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Indústria automóvel: É necessário mais rigor e transparência nos testes de emissão

Quarta-feira, 30.09.15

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Um novo estudo da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E) mostra que alguns modelos das marcas Mercedes, BMW e Peugeot têm consumos de combustível cerca de 50% superiores aos valores oficiais fornecidos pelas marcas.

Os novos modelos destas marcas, incluindo o Mercedes A, C e Classe E, BMW Série 5 e Peugeot 308, consomem cerca de 50% mais combustível em condições reais de condução do que os consumos oficiais obtidos a partir de testes de laboratório. A diferença entre os consumos em estrada e a partir de testes de laboratório em muitosmodelos de automóveistem crescido significativamente nos últimos anos, o quenão pode ser explicado através de fatoresconhecidos, incluindomanipulaçõesde testes.

Enquanto este estudo não constitui prova da instalação de  dispositivos que manipulam os consumo de combustível dos veículos, semelhante ao utilizado pela Volkswagen para manipular as emissões, os Estados-membros da União Europeia devem estender a investigação sobre os dispositivos que manipulam as emissões de CO2 e também aos veículos a gasolina. A diferença entre os dados oficiais de ensaio para as emissões de CO2/consumo de combustível e o desempenho em condições reais de condução aumentou para 40%, em média, em 2014, comparativamente com apenas 8% em 2001, de acordo com este estudo da T&E.

O estudo analisa o consumo de combustível em condições reais de condução (na estrada), destaca os abusos que os fabricantes de automóveis têm feito dos testes de emissão e do fracasso dos reguladores da UE para solucionar este problema. A diferença tornou-se um abismo e, sem uma ação reguladora, provavelmente irá crescer para 50%, em média, até 2020. Ao explorar as falhas do procedimento de teste (incluindo as diferenças conhecidas entre condições reais de condução e em laboratório) os veículos convencionais podem apresentar emissões de CO2 em estrada até 40-45% superiores do que o realmente medido em laboratório. Em alguns modelos, a diferença pode atingir mais de 50%.

Em média, os novos modelos da Mercedes têm uma diferença média de 48%, mas os novos modelos de classe A, C e E têm uma diferença de mais de 50%. O BMW Série 5 e Peugeot 308 estão abaixo dos 50%. As causas destas diferenças devem ser clarificadas o mais rapidamente possível. Esta distorção pode custar aos condutores uma média de 450 euros por ano em custos adicionais de combustível em comparação com o valor de consumo divulgado pela publicidade das marcas automóveis. Mas os fabricantes continuam a tentar atrasar a introdução de um novo teste de emissão (o Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure  - WLTP), programada para 2017.

Em média, dois terços dos benefícios reivindicados na redução de emissões de CO2 e de consumo de combustível desde 2008 foram conseguidos à custa de manipulação de resultados (apenas 13,3 gCO2/km de progresso obtido na estrada contra os 22,2 gCO2/ kmque os resultados baseados em testes de laboratório apontam). Isto significa que, nos últimos três anos, os novos veículos não têm sofrido melhorias na poupança de combustível pela melhoria da eficiência, na estrada. Apenas a Toyota terá cumprido a sua meta de 2015 sem explorar as flexibilidades do sistema de testes de emissão,  enquanto todos os outros fabricantes automóveis atingiram os seus limites legais explorando as falhas identificadas neste sistema.

Na Europa, os automóveis são responsáveis por 15% das emissões totais de CO2 e são a maior fonte de emissões dentro do setor dos transportes. A legislação europeia sobre limites de emissão de CO2 para os novos veículos ligeiros de passageiros exige que os fabricantes cumpram o valor máximo de 130 gCO2/km até 2015 e 95 gCO2/km até 2021.

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publicado por Quercus às 20:11

No rescaldo da crise VW: Quercus apela para rápida adoção de testes de emissão mais adequados e transparentes

Terça-feira, 29.09.15

A marca alemã Volkswagen esteve envolvida num escândalo sem precedentes na história da indústria automóvel. A marca foi acusada de fraude pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América (EPA), por incluir um dispositivo de "software" nos motores a gasóleo que permite reduzir as emissões de poluentes em laboratório, enquanto na estrada podem emitir entre 10 a 40 vezes para além do máximo permitido pela lei americana.

Mais de 11 milhões de veículos a gasóleo em todo o mundo (dos modelos Golf, Jetta, Beetle da Volkswagen e Audi A3), fabricados entre 2009 e 2015, com motores tipo EA 189 equipados com este dispositivo podem estar em causa. 

A Volkswagen poderá ter de pagar multas da ordem dos 18 mil milhões de dólares (mais os custos acrescidos da retirada dos veículos do mercado e ações em tribunal). Mas o grupo terá de enfrentar consequências bastante mais graves – como a demissão dos responsáveis, queda das ações no mercado bolsista e prejuízo da imagem da marca - , sendo que o assunto está a ser investigado pelas autoridades nos EUA e um pouco por todo o mundo.

As associações de defesa do ambiente têm alertado, nos últimos anos, as entidades competentes sobre a manipulação dos testes de emissão pelos fabricantes automóveis, quer nas emissões de CO2 (e consumo de combustível), quer de outros poluentes (como óxidos de azoto e partículas, com maior impacto na poluição das cidades).

Já na semana passada, a T&E - Federação Europeia para os Transportes e Ambiente, da qual a Quercus faz parte, tinha lançado o estudo “Don’t Breathe Here” que mostra que apenas 1 em cada 10 novos veículos a gasóleo cumprem as normas de emissão EURO 6, em vigor desde 1 de setembro.

Na Europa, dos 10 milhões de novos veículos comercializados em 2014, 7,5 milhões eram movidos a gasóleo. Estudos recentes indicam que, em média, os novos veículos ligeiros a gasóleo emitem cerca de cinco vezes acima do limite permitido, em condições reais de condução (na estrada).

Um novo sistema de testes está em discussão, a nível europeu, para atestar as emissões dos veículos a gasóleo em condições reais de condução, mas não será aplicável a todos os veículos antes de 2018. Entretanto, os fabricantes de automóveis continuam a atrasar a introdução do novo teste de emissão e a adoção de novos limites de emissão para os veículos.

A Quercus considera que a UE deve iniciar uma investigação alargada sobre todos os novos veículos colocados no mercado para identificar eventuais fraudes, exigir a retirada dos modelos fraudulentos e a compensação dos consumidores. 

Mais, a associação considera que a indústria automóvel deve concentrar-se na produção de veículos mais eficientes e com menores emissões poluentes na estrada, em vez de desenvolver mecanismos para contornar regras ambientais e enganar os consumidores, com prejuízo para o ambiente e a saúde pública.

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publicado por Quercus às 10:25

As alterações climáticas na Cimeira ONU Agenda pós-2015

Segunda-feira, 28.09.15

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O tema das alterações climáticas esteve presente em quase todas intervenções e momentos ao longo da Cimeira das Nações Unidas sobre a Agenda para o desenvolvimento pós-2015 que decorreu em Nova Iorque entre 25 e 27 de setembro e em que a Quercus participou. Domingo foi um dia particularmente especial na medida em que ocorreu um encontro de alto nível com a intervenção do Presidente do Perú (onde decorreu a última Conferência das Partes (COP) em Dezembro passado), o Presidente Francês (François Hollande), e ainda o Secretário-Geral das Nações Unidas (Ban Ki-moon). Durante um almoço estendido a mais cerca de 30 líderes mundiais, fez-se uma avaliação do estado das negociações climáticas tendentes ao Acordo de Paris a assinar no final de Novembro na próxima COP. Ao mesmo tempo, o Presidente Obama falou de diversos aspetos no seu discurso na Assembleia Geral, mencionando em particular a questão das alterações climáticas. Mais ainda, decorreu durante a tarde o 4º diálogo interativo cujo tema foi o clima com a participação de Portugal através de uma intervenção do Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos.

De acordo com o documento emitido por Ban Ki-moon sobre o encontro de alto nível realizado pela manhã, considerou-se ter havido uma discussão frutífera sobre as alterações climáticas, não se tendo tratado de uma negociação, mas de uma reunião informal para “injetar mais energia política” no processo.

Considerou-se que se atingiram três entendimentos:

- em primeiro lugar, o Acordo de Paris terá de fornecer uma visão global a longo prazo de um mundo livre da pobreza através das oportunidades criadas pela transformação para um futuro de baixo carbono e com um clima resiliente (o Acordo e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável agora adotada apoiam-se mutuamente e ela é indispensável para essa transição);

- em segundo lugar, o Acordo deve ser um ponto de viragem que envia um sinal claro aos cidadãos e ao sector privado em que a transformação da economia global é inevitável, benéfica, e já está em curso; os líderes participantes manifestaram um amplo apoio para um acordo durável que irá acelerar os investimentos em energia limpa e estimular uma transformação global para uma sociedade de baixo carbono, bem antes do final do século, consistente com caminho para manter o aumento da temperatura abaixo dos 2 graus Celsius; houve consenso de que o Acordo deve reforçar a resistência aos impactos climáticos, com foco nos mais pobres e mais vulneráveis; os líderes concordaram que o Acordo de Paris deve ser o “chão” e não o “teto”, devendo existir um processo de revisão necessário para fortalecer os compromissos nacionais ao longo do tempo, a fim de limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius (objetivo anteriormente referido).

- em terceiro lugar, que deverão ser desenvolvidas ações de cooperação imediata e concreta de modo a transformar a visão de longo prazo do Acordo em realidade.

De uma forma geral, foi reconhecido que é necessário que os líderes políticos continuem a trabalhar em estreita colaboração uns com os outros para remover obstáculos políticos, nomeadamente porque o total das contribuições nacionais ainda não são suficientes para o objetivo pretendido e necessário de redução de emissões.

Há um conjunto de reuniões próximas que podem ajudar a atravessar a linha de chegada em Paris. Estes incluem a reunião de Outubro dos ministros das finanças em Lima, Peru, a Cimeira dos G20, na Turquia, a Cimeira de Cochabamba (Bolívia) e dos Chefes de Governo da Commonwealth em novembro.

Ban Ki-moon fez um apelo a todos os líderes para mostrarem flexibilidade, visão e liderança, tendo por base a inspiração da nova agenda de desenvolvimento sustentável.

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Mais tarde, já no diálogo interativo, e após uma intervenção da famosa ex-Ministra da Noruega Brundtland que afirmou estarmos a caminho de um aumento de 4 graus Celsius e que é preciso tomar as medidas certas em Paris, François Hollande reafirmou a necessidade de todas as contribuições nacionais (as denominadas INDCs) chegarem até final de outubro - revelou aliás que de momento há 80 contribuições de países, cobrindo 70% das emissões. A seguir, mencionou que os negociadores deverão propor um texto para os ministros a meio de outubro para haver uma linguagem e consensos antecipados (estando o Ministro dos Negócios Estrangeiros Laurent Fabius com esta tarefa). O objetivo é que logo no começo da Conferência em paris, a 30 de novembro com a presença dos chefes de estado e governo, haja a certeza de um Acordo. Por último, reafirmou as ideias já apresentadas anteriormente por Ban Ki-moon, acrescentando que é necessário o financiamento para os países em desenvolvimento, nomeadamente para permitir a transição para uma economia sem combustíveis fósseis (cumprindo a meta de 100 mil milhões de dólares/ano a partir de 2020). Por último, o Presidente Francês mencionou que o problema das alterações climáticas se resolve havendo uma agenda de soluções que envolva os governos, os negócios as organizações não governamentais, no fundo, toda a sociedade - “Nada está terminado e tudo é possível”.

Noutras intervenções, a Alemanha anunciou a intenção de duplicar o financiamento a países em desenvolvimento até 2020, a IUCN considerou que a ambição relativa a um aumento de 2 graus Celsius é fraca, dado que os dados científicos apontam para 1,5 graus como máximo, citando que “somos nós que precisamos da natureza e não a natureza que precisa de nós”, a Organização Meteorológica Mundial afirmou que o ano 2015 vai ser um ano record em termos de temperaturas e que não teremos desenvolvimento sustentável se não resolvermos as alterações climáticas, tendo a Rede Ação Climática Internacional, na voz de Wael Hmaidain, reforçou a absoluta necessidade de uma aposta em 100% de energias de fontes renováveis.

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Quanto a Portugal, interveio o Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, que reforçou o facto de, apesar da crise financeira no país (2010-2013), a aposta numa economia de baixo carbono tem sido forte, atingindo 27% de energia final de fontes renováveis e 60% na eletricidade. Falou do objetivo de se atingir 40% de origem renovável em 2030 no consumo final e de medidas como a fiscalidade verde (incluindo uma taxa de carbono) numa ótica de tornar o país mais competitivo, dando a Portugal protagonismo em diversas avaliações internacionais. Mencionou que Portugal é dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, pelo que a prioridade passa também pela adaptação. Para terminar, referiu que é missão dos governos, sociedade civil, poder local e sector privado, dar corpo aos desafios colocados pelo problema das alterações climáticas.

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publicado por Quercus às 13:13

Novidades do Brasil

Segunda-feira, 28.09.15

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Durante a manhã de domingo nas Nações Unidas em Nova Iorque, a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, anunciou a contribuição nacional do Brasil no quadro do Acordo de Paris. É de relevar o facto do Brasil ser a primeira grande economia em desenvolvimento a adotar um objetivo absoluto para Paris envolvendo toda a sua economia – redução de 37% de emissões em 2025 tendo por base os níveis de 2005 e uma meta indicativa de redução de 43% para 2030 (contas incluindo alterações de uso do solo / desflorestação). Assim, o nível de ambição do Brasil é maior do que a maioria das contribuições nacionais (INDCs) apresentadas até agora, aproximando-se mais de metas como as na União Europeia do que China e EUA. O facto de que o alvo visa o ano de 2025 com uma meta indicativa para 2030 é politicamente relevante porque mostra um compromisso brasileiro com ciclos de revisão de cinco anos. A meta anunciada pela presidente Dilma Rousseff coloca assim o Brasil em posição de contribuir para um bom acordo em Paris, mas mesmo assim as organizações não governamentais brasileiras afirmam que é menos do que o que é necessário para o clima e para a própria economia brasileira que atravessa uma fase difícil.

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publicado por Quercus às 13:12

Vídeo sobre alterações climáticas (Nações Unidas, Cimeira 25-27 Set.)

Segunda-feira, 28.09.15

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publicado por Quercus às 01:58

Discurso de Portugal na Cimeira sobre Obj. Desenvolvimento Sustentável

Domingo, 27.09.15

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Texto integral do discurso acabado de ser dirigido (18.30h em Nova Iorque) pelo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete: na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo para a adoção da Agenda do Desenvolvimento Pós-2015 nas Naçoes Unidas:

Senhor Presidente,

Senhor Secretário Geral das Nações Unidas,

Distintos Delegados,

Minhas Senhoras e Meus Senhores.

Este momento histórico, coincidindo com as celebrações dos 70 anos das Nações Unidas, marca um ponto de viragem na forma como abordamos o desenvolvimento.

Há exatamente 15 anos, os líderes mundiais reuniram-se nesta cidade para forjar um compromisso multilateral sem precedentes em resposta aos desafios globais, consubstanciado nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio.

Uma década e meia volvida sobre a Cimeira do Milénio, importa reconhecer que muito foi feito, mas que muito se encontra ainda por fazer, exigindo de todos uma capacidade renovada tendo em conta as lições retiradas da implementação dos ODM e a nova realidade mundial.

Portugal vê a adoção dos 17 ODS como um compromisso sem paralelo para o desenvolvimento sustentável e para a erradicação da pobreza visando um mundo onde todos os Direitos Humanos sejam plenamente respeitados.

Gostaria, por isso, de felicitar as Nações Unidas, e de deixar uma palavra de elevado apreço a todos aqueles que participaram neste importante processo de negociação.

Senhor Presidente,

Os atuais desafios mundiais, como as alterações climáticas, as epidemias e a dramática situação dos migrantes e refugiados que diariamente arriscam as suas vidas, são uma prova clara de que não é possível pensar no nosso próprio bem-estar e segurança de forma isolada ou segundo geografias estanques. 

A universalidade da agenda 2030 é, por isso, fundamental pressupondo uma verdadeira partilha de responsabilidades na procura de um melhor futuro comum, que vá muito além da já datada abordagem Norte-Sul, da divisão entre atores públicos e privados e do entendimento que a Ajuda Pública ao Desenvolvimento é o único meio de resposta a esses problemas.

Existe hoje uma multiplicidade de atores cuja capacidade de intervenção pode e deve ser potenciada, como é o caso das economias emergentes e de outros países com um peso crescente como doadores, que deverão assumir responsabilidades compatíveis com a sua capacidade política, económica e financeira.

Esta agenda exige, ainda de todos nós, uma abordagem mais qualitativa, focada nos resultados, mais eficaz e assegurando a coerência entre as várias políticas.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Este é, sem dúvida, um momento de celebração, mas também de elevada responsabilidade, cabendo-nos agora dar corpo a estes compromissos e ao novo paradigma da cooperação internacional que eles encerram. As Nações Unidas deverão continuar a desempenhar um papel essencial na resposta a este tipo de desafios mundiais.

Contudo, cabe-nos a nós – Agências multilaterais, Governos, poder local, parlamentos, sociedade civil, setor privado – apropriarmo-nos destes 17 Objetivos.

Neste quadro, é fundamental ter em consideração os desafios que os Estados Frágeis, os Países Menos Avançados, particularmente do continente africano, e os SIDS enfrentarão pelo que deverão beneficiar de atenção particular.

Por essa razão, Portugal subscreveu os compromissos assumidos pela UE na Conferência de Addis Abeba incluindo, no que diz respeito à mobilização coletiva de 0,15% a 0,20% do Rendimento Nacional Bruto como Ajuda Pública ao Desenvolvimento para os Países Menos Avançados, o direcionamento prioritário da ajuda para o continente africano.

Esta é também a matriz da Cooperação portuguesa: concedemos prioridade absoluta ao reforço da ligação entre paz, segurança e desenvolvimento sustentável.

Temos por isso dado particular atenção a setores com um efeito estruturante e multiplicador, como a governação, o primado da lei, os direitos humanos, a educação, a saúde e a capacitação institucional, a par com a adoção de medidas destinadas ao empoderamento das mulheres e raparigas e à erradicação de todas as formas de violência com base no género.

Temos ainda realizado importantes investimentos na área das energias renováveis e do ‘crescimento azul’, com um especial enfoque na proteção ambiental, biodiversidade, mares e oceanos, visando a integração harmoniosa das três dimensões do desenvolvimento sustentável.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Portugal acredita que a agenda 2030 terá que ser implementada num verdadeiro espírito de parceria, pelo que continuaremos a trabalhar com a sociedade civil e as autarquias locais na operacionalização dos compromissos hoje aqui assumidos.

Estamos ainda disponíveis para trabalhar em parceria com os demais países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, para que a agenda 2030 seja integrada no trabalho da Comunidade e para contribuir para uma integração efetiva desta agenda nos outros fora multilaterais em que Portugal participa. 

Senhor Presidente,

Percorremos um longo caminho desde o início da negociação da agenda 2030 mas devemos encarar este momento como o início de uma nova etapa. Reitero o compromisso de Portugal com esta nova agenda e com o espírito das Nações Unidas, na convicção clara de que só unindo forças, promovendo o progresso económico e social e praticando a tolerância, viveremos em paz.

Muito obrigado.

 

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publicado por Quercus às 23:39

Todos pelo clima em Nova Iorque

Domingo, 27.09.15

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Hoje à tarde em Nova Iorque, enquanto na Trusteeship Council Chamber das Nações Unidas decorre um dialogo interativo sobre alterações climáticas, onde Portugal também vai intervir, François Hollande fazia o balanço dos trabalhos negociais numa conferência de imprensa após uma reunião de alto nível preparatória da Conferência de Paris (COP21) (daqui a pouco também estará neste diálogo interativo). Ao mesmo tempo, o Presidente Obama, mencionava os grandes obstáculos, na opinião dele, a um desenvolvimento sustentável: a má governança, a inequidade, a guerra e as alterações climáticas. Referiu que serão os países mais pobres a sofrer com o problema; há e haverá refugiados climáticos, e não é desculpa dizer que o desenvolvimento económico implica mais emissões. Mencionou o Papa Francisco, falando do dever moral de em 2 meses atingirmos um Acordo em Paris. Depois, contou a história de Eva, uma rapariga de 15 anos, sem eletricidade em casa mas dedicada na escola, que lhe perguntou numa carta - "o que vai fazer?" Obama terminou, com um apluaso quase equivalente ao que o Papa Francisco aqui recebeu na sexta-feira, dizendo que não a vai deixar de lado!

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publicado por Quercus às 20:50

EUA e China mais de acordo a caminho de Paris

Sábado, 26.09.15

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Ontem, o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama e o Presidente chinês, Xi Jinping emitiram uma declaração conjunta que define a sua visão comum para a negociação em Paris, incluindo um compromisso financeiro e de mudança da China, com detalhes sobre várias questões de política interna. Este anúncio ocorre como as emissões chinesas associadas ao carvão estarem a diminuir pela primeira vez em 15 anos.

Os EUA e a China deram assim um impulso para um acordo climático robusto que aumenta a ambição ao longo do tempo, apontando para uma transformação da economia global neste século. Os Chefes de Estado aceleram assim a mudança de um mundo baseado nos combustíveis fósseis para uma transição para 100% de energia renovável. Os EUA e a China também chegaram a um acordo sobre como tratar diferentes países relativamente ao abrigo do novo acordo e apelaram para se avaliarem e relatarem os progressos de forma transparente.

Tanto os EUA como a China estão a investir num futuro de energia limpa à escala doméstica e no exterior, parte da crescente consciência de que não se pode enfrentar a mudança climática se se continuar a investir em combustíveis fósseis. Ambos os países vão "limitar rigorosamente" o financiamento de projetos intensivos em carbono no exterior - insinuando um entendimento de que a grande maioria dos combustíveis fósseis deve ficar no solo se quisermos evitar os piores impactos das alterações climáticas. A China revelou que irá fornecer 3,1 mil milhões de dólares do seu Fundo Sul-Sul para ajudar os países mais pobres na transição para alternativas renováveis e se adaptarem aos impactos do clima, em linha com o próprio compromisso os EUA. Como parte do anúncio, a China disse que também irá obrigar poluidores a pagar as suas emissões, integrando este princípio através de limites nacionais e da sua política comercial em 2017.

O anúncio veio após a abertura pelo Papa Francisco da Cimeira para a adoção da Agenda de Desenvolvimento pós-2015, lembrando os líderes têm de impedir que os mais pobres continuem a “sofrer injustamente do abuso do ambiente." A ferramenta-chave a erradicar a pobreza e ter comunidades com 100% de energia renovável, que podem ter energia onde os combustíveis fósseis não chegam, criando um ambiente saudável e salvando vidas.

Ontem, aqui nas Nações Unidas em Nova Iorque, os Chefes de Estado da Croácia e da Finlândia, reconheceram que o primeiro verdadeiro teste dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é se o mundo conseguir assegurar um acordo global sobre alterações climáticas em dezembro. Se não o fizermos, a erradicação da pobreza será impossível, dado que a mudança climática irá destruir os ganhos de desenvolvimento duramente conquistados.

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publicado por Quercus às 17:23

Papa Francisco nas Nações Unidas – “Ambiente deve ter os mesmos direitos e proteção que a pessoa humana”

Sexta-feira, 25.09.15

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Esta manhã, o Papa Francisco dirigiu-se à Assembleia Geral das Nações Unidas, aqui em Nova Iorque (onde a Quercus também participa na Cimeira para adoção dos Objetivos para o desenvolvimento Sustentável até dia 27 de setembro).

Depois de uma ligeira introdução, quer do Presidente da Assembleia Geral, que referiu a necessidade de podermos ter e devemos ter um acordo climático em Paris dentro de dois meses, o Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon considerou as Nações Unidas como o único palco que permite falar para todo o mundo. Tratou-se de um momento histórico, em que pela primeira vez um Papa se dirigia a uma Assembleia Geral, aquando da sua abertura, no contexto de uma reunião onde o desenvolvimento sustentável se ajusta completamente às questões levantadas pela recente encíclica que menciona a ecologia integral, justiça social e bem-estar humano. Mais uma vez, também Ban Ki-moon se referiu ao principal desafio que são as alterações climáticas e as próximas decisões em Paris. De uma forma geral, apelou à mobilização do mundo, independentemente da religião, para melhorar a qualidade de vida de todos.

Seguiu-se a longa intervenção do Papa Francisco (conteudo total aqui), começando por mencionar o papel das Nações Unidas, sem as quais a humanidade estaria muito pior que atualmente. Falou da necessidade de uma maior igualdade, de um desenvolvimento mais sustentável – “é necessário dar meios aos países que apesar do progresso, são submetidos a grande pobreza, exclusão e dependência”. Mencionou, no contexto dos valores católicos, o valor intrínseco de cada criatura e que o “Homem deve usar a natureza mas não pode dela abusar ou destrui-la”. O ambiente é um bem fundamental e a sua destruição é acompanhada por um processo de exclusão, egoísta e de prosperidade material e de usos nocivos e de exclusão dos mais fracos. A consequência dos abusos do ambiente traduz-se numa cultura do desperdício!

Sobre as alterações climáticas - Conferência de Paris – declarou como fundamental um acordo efetivo. “Mas cometimentos sólidos não são suficientes - é preciso passos e medidas concretas para preservar e melhorar o ambiente e terminarmos também a exclusão social e económica”, tendo dado inúmeros exemplos. “A magnitude e os custos de vidas inocentes, deve-nos evitar ficarmo-nos por uma declaração que amenize as consciências”. É necessário garantir que as instituições dão uma resposta em relação a estas questões. Precisamos de instrumentos técnicos de verificação. O alojamento, trabalho, terra têm de ser enquadrados com os direitos espirituais e humanos. Lembrou a necessidade de uma agenda efetiva, prática e imediata. “Uma economia baseada na riqueza e no poder, esquece a natureza. A criação está comprometida e nós temos a palavra final. Falou ainda dos conflitos, mencionando que a guerra é um drama que constitui também um assalto ao ambiente e relevou o papel importante da Carta das Nações Unidas. “A Casa Comum de todos os homens depende da fraternidade universal”. O ambiente deve ter os mesmo e proteção direitos que a pessoa humana”. Apelar à consciência moral, nunca foi tão necessário como hoje, quando o futuro exige soluções imediatas. O futuro exige soluções imediatas. As Nações Unidas são o fórum para as decidir e implementar (seguiram-se vários minutos de aplauso).

Após um pequeno intervalo, e na abertura já da Cimeira para adoção dos agenda para o desenvolvimento até 2030, foi a vez de Malala se dirigir aos lideres mundiais pedindo a todos um conjunto de promessas em diferentes domínios, em particular na educação.

 

 

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publicado por Quercus às 16:37

Coligação internacional apela para o fim dos subsídios sobre biocombustíveis e biomassa

Sexta-feira, 25.09.15

Uma coligação de organizações ambientais fez um forte apelo à União Europeia (UE) para excluir a bioenergia da revisão da Diretiva sobre as Energias Renováveis, e, assim, pôr fim aos subsídios atribuídos direta ou indiretamente para algumas energias renováveis, como os biocombustíveis e a biomassa. As associações publicaram um documento onde abordam os impactos das políticas que envolvem a bioenergia na UE, e tem como alvo decisores políticos.

O Comissário para a Energia e Clima, Miguel Arias Cañete, tem defendido que a contribuição da UE para a redução de emissões é "a mais ambiciosa apresentada até à data". No entanto, a meta de redução de emissões da UE é construída tendo por base falsos pressupostos, como a bioenergia em larga escala ser considerada como inerentemente “neutra” em emissões de carbono ou de baixo carbono, e que os mercados de carbono podem tratar eficazmente estas emissões.

Cada vez mais as evidências mostram que, quando a bioenergia é produzida e utilizada em larga escala, ela tende a aumentar em vez de diminuir as emissões de carbono, por comparação com os combustíveis fósseis. Através de incentivos para a produção de bioenergia em larga escala, a UE continua a usar as falhas de contabilidade de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) da UNFCCC, em que as emissões associadas com as alterações de uso dos solos e da degradação das florestas deveriam ser contabilizados pelos países onde estes impactos ocorrem, o que significa que os biocombustíveis e pellets de madeira importados para a UE são falsamente classificados como neutros em emissões de carbono.

A bioenergia foi responsável por dois terços de toda a energia renovável na UE em 2012, mas a coligação de associações afirma que a produção de bioenergia em larga escala não está em conformidade com a definição de energia renovável. De acordo com a Agência Internacional de Energia, a energia renovável é a "energia derivada de processos naturais (por exemplo, a luz solar e vento), reposta a um ritmo mais rápido do que aquele que é consumido".

Na realidade, a bioenergia está associada com a expansão massiva da agricultura e silvicultura, de modo intensivo, sobretudo monoculturas, as quais têm impactos significativos na depleção e contaminação de solos e recursos hídricos, destruição de ecossistemas naturais e da biodiversidade, e afetação do modo de vida sustentável das comunidades locais, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento. A UE não pode reduzir emissões pelo uso intensivo de bioenergia à custa da exploração de solos, florestas e recursos hídricos em outros países onde ela é produzida.

 

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publicado por Quercus às 08:31


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