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2ºC é demais: aquecimento global não deve ultrapassar os 1,5ºC

Sexta-feira, 05.06.15

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A Rede de Ação Climática (CAN, na sigla inglesa), que integra a Quercus, analisou recentemente a avaliação 2013-2015 de um dos grupos de trabalho da Conferência das Partes (COP) da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), concluindo que é necessário reforçar o reconhecimento da importância do limiar 1,5ºC de aquecimento global acima da temperatura pré-industrial.

Segundo o relatório, uma subida de temperatura de 2ºC (o objetivo da Convenção) originará impactos catastróficos, irá abrandar o crescimento económico e prejudicar consideravelmente os esforços de redução da pobreza. Para a CAN, apontar para uma subida inferior a 1,5ºC, evitaria e enfraqueceria inúmeros impactos das alterações climáticas e não será necessariamente mais caro do que perseguir a meta de 2ºC.

Uma segunda mensagem do documento é a de que o mundo não está no caminho certo para um cenário abaixo dos 2ºC, porque as emissões globais de gases de efeito de estufa (GEE) passadas e recentes têm acelerado, continua a existir um “gap de emissões”, e os atuais compromissos de Cancun são mais consistentes com uma meta de 3ºC.

Por fim, o relatório considera que ainda é possível manter o aquecimento abaixo de 2ºC, mas para isso são necessários cortes profundos das emissões, bem como um aumento de cerca de 90% das tecnologias energéticas de baixo carbono até 2050 (em comparação a 2010), e a descarbonização completa dos sistemas de energia. Estas metas não afectariam significativamente o crescimento do produto interno bruto global. Além disso, as medidas de mitigação trazem efeitos secundários benéficos, em particular para a saúde humana, a conservação da biodiversidade e outros objectivos sociais.

COP21 deve reforçar importância da meta de 1,5ºC

A CAN sugere que as conclusões do documento devem conduzir a um processo de decisão na COP21, em Paris, que reforce os 1,5ºC como meta de longo prazo da Convenção. As ONG gostariam igualmente que a decisão da COP permitisse operacionalizar esta meta, seguindo a proposta da CAN, através da eliminação gradual de todas as emissões de combustíveis fósseis e da adopção de medidas que permitam um futuro com energia 100% renovável e com acesso à energia sustentável para todos, o mais cedo possível, mas o mais tardar em 2050.

A decisão da COP deve também reconhecer que as partes não estão a caminho de cumprir a meta de longo prazo previamente acordada e, portanto, as precisam de reduzir substancialmente as suas emissões para evitar os impactos da mudança do clima.

Finalmente, a CAN considera que o documento não abordou várias questões importantes que devem contribuir para informar a avaliação 2013-2015. Em primeiro lugar, a questão das emissões da aviação e do transporte marítimo, embora se tratem de fontes crescentes de GEE sem regulamentação em vigor para limitar as emissões.

A CAN apela aos países presentes na COP21 que enviem um sinal muito mais claro à Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) e à Organização Marítima Internacional (OMI) no sentido de introduzir regulamentações globais em matéria de limitação e redução das emissões de GEE desses setores (incluindo o efeito de aquecimento dos  rastros de condensação e nuvens cirrus).

Em segundo lugar, a CAN observa que o relatório não considera em profundidade suficiente as implicações sociais da meta global de longo prazo, como as consequências para os direitos humanos, a mobilidade e o emprego, vertentes que as ONG consideram de particular importância para a revisão. (ver posição da CAN - em inglês)

 

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publicado por Quercus às 20:00





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