Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



As alterações climáticas na Cimeira ONU Agenda pós-2015

Segunda-feira, 28.09.15

DSCF6167.JPG

O tema das alterações climáticas esteve presente em quase todas intervenções e momentos ao longo da Cimeira das Nações Unidas sobre a Agenda para o desenvolvimento pós-2015 que decorreu em Nova Iorque entre 25 e 27 de setembro e em que a Quercus participou. Domingo foi um dia particularmente especial na medida em que ocorreu um encontro de alto nível com a intervenção do Presidente do Perú (onde decorreu a última Conferência das Partes (COP) em Dezembro passado), o Presidente Francês (François Hollande), e ainda o Secretário-Geral das Nações Unidas (Ban Ki-moon). Durante um almoço estendido a mais cerca de 30 líderes mundiais, fez-se uma avaliação do estado das negociações climáticas tendentes ao Acordo de Paris a assinar no final de Novembro na próxima COP. Ao mesmo tempo, o Presidente Obama falou de diversos aspetos no seu discurso na Assembleia Geral, mencionando em particular a questão das alterações climáticas. Mais ainda, decorreu durante a tarde o 4º diálogo interativo cujo tema foi o clima com a participação de Portugal através de uma intervenção do Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos.

De acordo com o documento emitido por Ban Ki-moon sobre o encontro de alto nível realizado pela manhã, considerou-se ter havido uma discussão frutífera sobre as alterações climáticas, não se tendo tratado de uma negociação, mas de uma reunião informal para “injetar mais energia política” no processo.

Considerou-se que se atingiram três entendimentos:

- em primeiro lugar, o Acordo de Paris terá de fornecer uma visão global a longo prazo de um mundo livre da pobreza através das oportunidades criadas pela transformação para um futuro de baixo carbono e com um clima resiliente (o Acordo e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável agora adotada apoiam-se mutuamente e ela é indispensável para essa transição);

- em segundo lugar, o Acordo deve ser um ponto de viragem que envia um sinal claro aos cidadãos e ao sector privado em que a transformação da economia global é inevitável, benéfica, e já está em curso; os líderes participantes manifestaram um amplo apoio para um acordo durável que irá acelerar os investimentos em energia limpa e estimular uma transformação global para uma sociedade de baixo carbono, bem antes do final do século, consistente com caminho para manter o aumento da temperatura abaixo dos 2 graus Celsius; houve consenso de que o Acordo deve reforçar a resistência aos impactos climáticos, com foco nos mais pobres e mais vulneráveis; os líderes concordaram que o Acordo de Paris deve ser o “chão” e não o “teto”, devendo existir um processo de revisão necessário para fortalecer os compromissos nacionais ao longo do tempo, a fim de limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius (objetivo anteriormente referido).

- em terceiro lugar, que deverão ser desenvolvidas ações de cooperação imediata e concreta de modo a transformar a visão de longo prazo do Acordo em realidade.

De uma forma geral, foi reconhecido que é necessário que os líderes políticos continuem a trabalhar em estreita colaboração uns com os outros para remover obstáculos políticos, nomeadamente porque o total das contribuições nacionais ainda não são suficientes para o objetivo pretendido e necessário de redução de emissões.

Há um conjunto de reuniões próximas que podem ajudar a atravessar a linha de chegada em Paris. Estes incluem a reunião de Outubro dos ministros das finanças em Lima, Peru, a Cimeira dos G20, na Turquia, a Cimeira de Cochabamba (Bolívia) e dos Chefes de Governo da Commonwealth em novembro.

Ban Ki-moon fez um apelo a todos os líderes para mostrarem flexibilidade, visão e liderança, tendo por base a inspiração da nova agenda de desenvolvimento sustentável.

DSCF6174.JPG

Mais tarde, já no diálogo interativo, e após uma intervenção da famosa ex-Ministra da Noruega Brundtland que afirmou estarmos a caminho de um aumento de 4 graus Celsius e que é preciso tomar as medidas certas em Paris, François Hollande reafirmou a necessidade de todas as contribuições nacionais (as denominadas INDCs) chegarem até final de outubro - revelou aliás que de momento há 80 contribuições de países, cobrindo 70% das emissões. A seguir, mencionou que os negociadores deverão propor um texto para os ministros a meio de outubro para haver uma linguagem e consensos antecipados (estando o Ministro dos Negócios Estrangeiros Laurent Fabius com esta tarefa). O objetivo é que logo no começo da Conferência em paris, a 30 de novembro com a presença dos chefes de estado e governo, haja a certeza de um Acordo. Por último, reafirmou as ideias já apresentadas anteriormente por Ban Ki-moon, acrescentando que é necessário o financiamento para os países em desenvolvimento, nomeadamente para permitir a transição para uma economia sem combustíveis fósseis (cumprindo a meta de 100 mil milhões de dólares/ano a partir de 2020). Por último, o Presidente Francês mencionou que o problema das alterações climáticas se resolve havendo uma agenda de soluções que envolva os governos, os negócios as organizações não governamentais, no fundo, toda a sociedade - “Nada está terminado e tudo é possível”.

Noutras intervenções, a Alemanha anunciou a intenção de duplicar o financiamento a países em desenvolvimento até 2020, a IUCN considerou que a ambição relativa a um aumento de 2 graus Celsius é fraca, dado que os dados científicos apontam para 1,5 graus como máximo, citando que “somos nós que precisamos da natureza e não a natureza que precisa de nós”, a Organização Meteorológica Mundial afirmou que o ano 2015 vai ser um ano record em termos de temperaturas e que não teremos desenvolvimento sustentável se não resolvermos as alterações climáticas, tendo a Rede Ação Climática Internacional, na voz de Wael Hmaidain, reforçou a absoluta necessidade de uma aposta em 100% de energias de fontes renováveis.

DSCF6180.JPG

Quanto a Portugal, interveio o Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, que reforçou o facto de, apesar da crise financeira no país (2010-2013), a aposta numa economia de baixo carbono tem sido forte, atingindo 27% de energia final de fontes renováveis e 60% na eletricidade. Falou do objetivo de se atingir 40% de origem renovável em 2030 no consumo final e de medidas como a fiscalidade verde (incluindo uma taxa de carbono) numa ótica de tornar o país mais competitivo, dando a Portugal protagonismo em diversas avaliações internacionais. Mencionou que Portugal é dos países mais vulneráveis às alterações climáticas, pelo que a prioridade passa também pela adaptação. Para terminar, referiu que é missão dos governos, sociedade civil, poder local e sector privado, dar corpo aos desafios colocados pelo problema das alterações climáticas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Quercus às 13:13


2 comentários

De Humberto a 05.10.2015 às 12:31

«O tema das alterações climáticas estiveram presentes em quase todas intervenções e momentos ao longo da Cimeira das Nações Unidas sobre a Agenda para o desenvolvimento pós-2015»

O assunto em agenda era o "desenvolvimento pós-2015" mas o tema omnipresente foi afinal... as "alterações climáticas".

Como se isso fizesse sentido...


´´
«De acordo com o documento emitido por Ban Ki-moon sobre o encontro de alto nível realizado pela manhã, considerou-se ter havido uma discussão frutífera sobre as alterações climáticas, não se tendo tratado de uma negociação, mas de uma reunião informal para “injetar mais energia política” no processo.»


Injectar mais energia política? O assunto já só é "energia política"! (Pelos vistos ainda é pouca.)


´´
«Considerou-se que se atingiram três entendimentos:

- em primeiro lugar, o Acordo de Paris terá de fornecer uma visão global a longo prazo de um mundo livre da pobreza através das oportunidades criadas pela transformação para um futuro de baixo carbono»

Cá volta a insistência na demagogia barata ao defenderem o fim da pobreza se o futuro for de "baixo carbono".


Já agora deixo aqui o significado de DEMAGOGIA:

«Discurso ou acção que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político.

"demagogia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/demagogia.»


´´
«- em segundo lugar, (...) houve consenso de que o Acordo deve reforçar a resistência aos impactos climáticos, com foco nos mais pobres e mais vulneráveis;»

Lá está outra vez a demagogia.


´´
«a fim de limitar o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius (objetivo anteriormente referido).»

Ora aqui está mais uma vez bem explícito (para quem ainda não tinha reparado) que todo o tema das "alterações climáticas" é exactamente o mesmo que "aquecimento global". Apenas o nome mudou por uma questão de popularidade que ameaçava decrescer fortemente a qualquer momento.

Uma excelente táctica, aliás, seguida por muitas empresas que ao verem-se com problemas financeiros e/ou enfrentando má publicidade decidem mudar de nome na esperança de que com a cara lavada tudo o resto seja esquecido.


´´
«- em terceiro lugar, (...) De uma forma geral, foi reconhecido que é necessário que os líderes políticos continuem a trabalhar em estreita colaboração uns com os outros para remover obstáculos políticos,»

Remover obstáculos políticos?! Uma afirmação destas pode ter todo o tipo de interpretações e algumas delas nada abonatórias para quem a faz. Aspirantes a tiranetes... é o que parece.

Na minha ignorância, suponho que "remover obstáculos políticos" seja uma forma de dar lugar à tal injecção de mais "energia política" até atingirem um tal patamar que lhes permita fazer livremente o que lhes vier à real gana.


´´
«Ban Ki-moon fez um apelo a todos os líderes para mostrarem flexibilidade, visão e liderança, tendo por base a inspiração da nova agenda de desenvolvimento sustentável.»

A linguagem de Ban Ki-moon continua a surpreender.

Em que mundo visão e liderança são compatíveis com flexibilidade? Neste mundo do "aquecimento global" renomeado para "alterações climáticas" não é, de certeza.

Não é possível haver visão e liderança quando se pede a lideres flexibilidade para aceitar o que outros exigem: "Sejam visionários e liderem os vossos povos mas primeiro aceitem os nossos superiores mandamentos!".


Como é possível alguém confiar em pessoas assim?


´´
«Mais tarde, já no diálogo interativo, e após uma intervenção da famosa ex-Ministra da Noruega Brundtland que afirmou estarmos a caminho de um aumento de 4 graus Celsius e que é preciso tomar as medidas certas em Paris,»

Num mundo de loucos, que melhor forma existe de reclamar popularidade para si do que elevar para o dobro a fasquia da loucura?

De Humberto a 05.10.2015 às 12:41

(continuação...)
« François Hollande (...) acrescentando que é necessário o financiamento para os países em desenvolvimento, nomeadamente para permitir a transição para uma economia sem combustíveis fósseis»

Ou seja, negar aos países que buscam desesperadamente por mais desenvolvimento e maior (ou alguma) riqueza exactamente aquilo que permitiu desenvolvimento e riqueza... aos países ricos.

E ainda se dizem preocupados com os países pobres!

Como é possível alguém acreditar em pessoas assim?


´´
«a Organização Meteorológica Mundial afirmou que o ano 2015 vai ser um ano record em termos de temperaturas»

A Organização Meteorológica Mundial apoia-se em dados resultantes da medição de temperatura através de estações terrestres e oceânicas que resultam em estudos muito pouco ou nada fidedignos principalmente quando se tem em conta os vários escândalos e polémicas em que foram peça central.

Se a Organização Meteorológica Mundial olhasse para os registos de temperatura fornecidos por satélites veria que 2015 não é e não será, de maneira nenhuma, um ano record em termos de temperaturas.


´´
«Quanto a Portugal, interveio o Secretário de Estado do Ambiente, Paulo Lemos, que (...) Falou (...) de medidas como a fiscalidade verde»

Fiscalidade verde... isto faz-me lembrar os 3870 milhões de euros cobrados em impostos ambientais só em 2014 em Portugal (e nem foi este o ano com o valor mais alto).
Segundo o INE, estes 3870 milhões de euros significam uma contribuição para o PIB de 2,2%.

É um belo valor a entrar nos cofres do estado!

Como pode um governante não querer cobrar tantos milhões extra em impostos?

Mas agora há que pensar no pequeno tamanho e situação económica de Portugal que mesmo assim conseguiu 3870 milhões de euros em 2014 e extrapolar para outros países e no quanto cada um desses países terá conseguido em impostos à custa desta fiscalidade verde para ajudar a perceber porque razão há tanto político a vender-se à questão das "alterações climáticas".


´´
«medidas como a fiscalidade verde (incluindo uma taxa de carbono) numa ótica de tornar o país mais competitivo,»

Que um político se se submeta à teoria do "aquecimento global" para poder cobrar mais impostos... até percebo. Não concordo mas percebo.

Mas inventar novos impostos torna um país mais competitivo?! Que mentira tão descarada de Paulo Lemos. Perdão, mas que belo ensinamento de Paulo Lemos!


Comentar post





calendário

Setembro 2015

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930