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Cimeira do Clima é passo fundamental para novo Acordo Climático em 2015 - Quercus nas Nações Unidas, em Nova Iorque, 23 de setembro

Quinta-feira, 11.09.14

A Cimeira do Clima da ONU, que decorrerá a 23 de Setembro, em Nova Iorque, será um importante passo para alcançar o ambicionado Acordo de Paris – um acordo global para travar as alterações climáticas que se espera alcançar em Dezembro de 2015 - e uma importante chamada de atenção para os cidadãos de todo o mundo. Os líderes mundiais que marcarem presença em Nova Iorque estarão a mostrar as suas intenções políticas, declarando o seu compromisso pessoal com o desejado Acordo de Paris.

Por outro lado, estarão também a pôr à prova a sua credibilidade e a preparar os respetivos países, através de diversas ações à escala nacional, para a decisão a ser tomada. O teste decisivo para o Acordo de Paris será constatar se o mundo muda de rumo para manter o objetivo, ainda alcançável, de evitar as consequências catastróficas das alterações climáticas.

A juntar aos compromissos políticos dos Chefes de Estado e de Governo, outro indicador importante a retirar desta Cimeira será a apresentação de iniciativas de transição para as energias limpas e de redução das emissões de carbono, levadas a cabo por um número crescente de países e setores de atividade. Têm-se registado, recentemente, em alguns dos países-chave como os Estados Unidos da América (EUA), a Índia e a China, progressos consideráveis na contenção das emissões de carbono e no investimento em energias limpas.

Esta transição mostra o desejo e a oportunidade dos países em intensificarem os seus esforços nesta matéria e integrá-los num acordo internacional. Esta Cimeira será, assim, uma oportunidade para avaliar a amplitude e profundidade desta nova dinâmica, em particular as mudanças no setor energético. É também um evento onde se poderá avaliar a capacidade da Europa, cujo protagonismo e ambição tem vindo a enfraquecer nos últimos anos.

Ao nível político, e a par dos compromissos políticos globais, a expectativa é que muitos líderes anunciem o seu compromisso relativamente à posição e contribuição dos respetivos países para este acordo global muito antes da Conferência de Paris, agendada para Dezembro de 2015. Mais ainda, espera-se que as tais contribuições incluam a definição de limites nacionais às emissões de carbono, de modo a fazer a ligação ao acordo internacional.

Marcha pelo Clima - Quercus é uma das mais de mil associações participantes

Nas ruas de Nova Iorque, fora dos corredores das Nações Unidas, os líderes serão recebidos por dezenas de milhares de cidadãos que participarão na Marcha pelo Clima de 21 de setembro. Esta iniciativa reflete uma maior preocupação e consciência pública relativamente aos custos das alterações climáticas, devido aos fenómenos meteorológicos extremos e outros impactes, a par do desejo de uma transição dos combustíveis fósseis para as energias limpas, com um crescimento visível em todo o mundo. Em 2015, a COP de Paris será uma oportunidade única para reunir as vontades políticas e cristalizá-las num acordo global que sirva de base para fortalecer os compromissos que estão já a acontecer.

O Acordo de Paris é, pois, amplamente esperado: alinhando os planos e atividades nacionais, pretende-se que sirva de trampolim para um acordo internacional que aborde a problemática das emissões de carbono e a transição para a energia limpa. Um acordo que ambicione tornar-se maior do que a soma das partes.

Os próximos passos até Paris, em 2015

A Conferência de Paris será importante, mas apenas uma paragem no longo caminho ainda pela frente para garantir que se conseguem evitar as faces mais catastróficas das alterações climáticas. A questão fundamental para avaliar o Acordo de Paris (e a Cimeira da ONU) será verificar se este acordo global mantém o objetivo alcançável, isto é, se nos permite limitar o aquecimento global a 2º Celsius.

Será o Acordo de Paris uma viragem clara na política climática mundial? Dará um sinal claro de que as emissões de carbono serão controladas, que o futuro dos combustíveis fósseis será, em última análise, limitado, e que todos os países podem e vão começar uma transição para as energias limpas? Nas próximas décadas será percorrido um longo caminho para enfrentar as alterações climáticas, mas é absolutamente claro que é necessário mudar o quanto antes de direção se queremos atingir esse objetivo. O teste decisivo de Paris será, pois, o mundo mudar efetivamente o rumo do caminho a seguir.

A próxima Cimeira de setembro irá fornecer elementos sobre esta mudança de caminho necessária em Paris. Dos anúncios e discursos, em Nova Iorque, espera-se que evidenciem e identifiquem o que é possível fazer. A questão será verificar se serão suficientes as mudanças que estão a acontecer em países como os EUA e a China para controlar as suas emissões de carbono e as mudanças que estão a ocorrer no setor energético em todo o mundo, juntamente com a vontade dos líderes políticos em institucionalizar este novo rumo.

A Quercus vai acompanhar da Cimeira e o desenvolvimento dos trabalhos até à COP de Paris através do blog: http://climaticas.blogs.sapo.pt/

Lisboa, 11 de setembro de 2014

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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publicado por Quercus às 10:04





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