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Conferência da ONU sobre clima começa segunda-feira, 30 de Novembro em Paris

Quarta-feira, 25.11.15

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Começa na próxima segunda-feira, dia 30 de novembro, a 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que decorrerá até 11 de dezembro em Paris. A Conferência de Paris não será por si só capaz de dar uma resposta completa à crise climática, mas terá de melhorar a probabilidade de se conseguir limitar as alterações climáticas a um aumento de temperatura entre 1,5º e 2ºC.


Os compromissos nacionais (INDCs, na sigla em inglês) para a redução de emissões, que até agora foram apresentados por 171 países à Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), são insuficientes para manter o aumento de temperatura global abaixo dos 2º Celsius acordados em Copenhaga. Os Estados Unidos da América assumiram o compromisso de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa entre 26-28% até 2025, com base em 2005. A China assumiu que o seu pico de emissões seria alcançado em 2030 e a União Europeia assumiu um compromisso de redução de 40% das emissões de GEE em 2030, em relação a 1990.

 
Estes compromissos assumidos conduzirão o mundo a um aumento da temperatura média global de pelo menos 2,7ºC [2]. Nesse mundo, a realidade diária será pautada por cheias e secas mais frequentes, escassez de água e de alimentos, aumento do número de refugiados e conflitos, bem como danos irreversíveis para os ecossistemas, as economias e as comunidades humanas.

 
O que está em cima da mesa em Paris

A CAN publicou o documento com as suas expectativas e ambição para a COP 21 [3], de Paris, cujos tópicos mais importantes são:

Manter o aumnto de temperatura global abaixo de 1,5ºC - 2ºC

Para atingir este objetivo assumido pelos países presentes na COP de Copenhaga, em 2009, é necessário:

- um Acordo com períodos de compromisso de 5 anos, para que possam ser revistos sempre que se cumpra esse intervalo de tempo;

- Um mecanismo de ambição para que em cada revisão seja possível aumentar o nível de ambição dos compromissos anteriores;

- Um compromisso  de longo prazo para a eliminação total das emissões dos combustíveis fósseis e a introdução progressiva de 100% de energia renovável, o mais tardar em 2050.

Financiamento

É por todos reconhecido que os países em desenvolvimento precisam de assistência financeira por parte dos países desenvolvidos, como apoio à transição para a produção de energia limpa e à redução de emissões de GEE, sem que o seu desenvolvimento seja posto em causa. Por outro lado, os países desenvolvidos necessitam também de assistência para a adaptação aos efeitos severos das alterações climáticas.

Em Copenhaga, na COP 15, os países acordaram que seriam providenciados, até 2020, pelo menos 100 mil milhões de euros por ano para financiamento climático. Os países em desenvolvimento querem garantir que este financiamento continua para além de 2020, mas continua pouco claro como isto irá acontecer.

Aumentar o nível de ambição no curto-prazo

Como os compromissos nacionais agora assumidos pelos países começam apenas em 2020, é necessário fazer mais no curto prazo. Os países desenvolvidos devem aumentar o seu nível de ambição de redução da emissão de GEE até 2020 e concretizar os apoios na forma de financiamento e tecnologia assumidos em Copenhaga.

Adaptação e Perdas e Danos

Para os países menos desenvolvidos e muitos dos países do G77, as "Perdas e Danos" representa um ponto fundamental nas negociações. Para estes países é essencial criar um fundo de financiamento separado para a adaptação às alterações climáticas e para responder aos desastres climáticos e outros impactes para os quais já não é possível a adaptação (perdas e danos). Os desafios em torno deste ponto passam por questões como a dificuldade de ligar as alterações climáticas a eventos específicos que causam perdas e danos, para que seja possível avaliar a reparação do dano.

O que se espera da União Europeia

Portugal apresenta-se nestas conferências como parte integrante da União Europeia (UE), onde é assumida uma posição conjunta de negociação. Para o sucesso de Paris, a UE precisa de:

- Defender a inclusão no Acordo de Paris do compromisso de eliminação gradual de todas as emissões de combustíveis e a introdução progressiva de 100% de energia renovável

- Defender a revisão dos compromissos nacionais assumidos pelos países a começar imediatamente depois da COP 21 e a estar completa em 2018;

- Aumentar o nível de ambição de pelo menos 40% de redução de emissões de GEE até 2030 (que constitui o INDC da UE), para pelo menos 55% de redução até 2030, com base em 1990;

- Publicar detalhadamente os compromissos assumidos pela UE e especificar o total das emissões na UE entre 2021 e 2030;

- Assumir uma meta para 2025, para além da meta para 2030, pois o mecanismo de períodos de compromisso de 5 anos é a melhor ferramenta para aumentar a ambição;

- Impulsionar a ambição da UE pré-2020, incluindo a eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, a eliminação das licenças de emissão excendentárias do Comércio Europeu de Licenças de Emissão (EU-ETS) e a implementação da legislação sobre eficiência energética e energias renováveis;

- Mostrar liderança para o resto do mundo e assumir um compromisso de redução de emissões de 30% em 2020, em relação a 1990. Em 2014 a redução de emissões foi de 23% em relação a 1990, e muito provavelmente chegará a uma redução de 30% em 2020.

- Contribuir com a sua parte de forma justa para o total dos 100 mil milhões de dólares anuais, até 2020, destinados ao financiamento climático. A UE também precisa de aumentar a sua contribuição financeira no pós-2020, o que não aconteceu no Conselho de Finanças de 10 de novembro passado
 
- Assegurar que o Acordo de Paris estimula a transição dos apoios financeiros e investimentos aos combustíveis fósseis para as energias renováveis.

Posição de Portugal

O Quadro Estratégico para a Política Climática (QEPiC), aprovado em julho de 2015, apresenta os objetivos nacionais em termos de política climática - de mitigação e adaptação.

Os objetivos mais importantes no pós-2020 são:

- Meta de redução das emissões de GEE entre 30% a 40% em 2030, assegurada por trajetória de redução entre 18%-23% já em 2020 (ambas com base em 2005);

- Redução do consumo de energia em 30%, em relação à baseline, assente na eficiência energética;

- Fomento das energias renováveis, atingindo 40% do consumo final de energia em 2030.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Quercus às 09:59


2 comentários

De humberto a 28.11.2015 às 10:48

«Começa na próxima segunda-feira (...) A Conferência de Paris não será por si só capaz de dar uma resposta completa à crise climática, mas terá de melhorar a probabilidade de se conseguir limitar as alterações climáticas a um aumento de temperatura entre 1,5º e 2ºC.»


Convém lembrar que esses limites de aumento de temperatura que pretendem impor são desde a era pré-industrial!

Querem saber um segredo? Mas não contem a ninguém, tá bem?
A era industrial com toda aquele maldita emissão de CO2 para a atmosfera iniciou-se logo após a Pequena Idade do Gelo ter terminado. O ano de 1850 foi mesmo um mais frios de toda a Pequena Idade do Gelo.


E agora que já sabem (outra vez) do segredo, o que será mais provável...?

...que o aquecimento global verificado desde o fim da Pequena Idade do Gelo seja culpa do CO2?

Ou que o aquecimento global verificado desde o fim da Pequena Idade do Gelo seja culpa do fim da Pequena Idade do Gelo?


Eu tenho cá para mim que qualquer fim de uma Idade do Gelo (pequena ou grande) implica necessariamente um aquecimento global.


´´
«Os compromissos nacionais (...), são insuficientes para manter o aumento de temperatura global abaixo dos 2º Celsius acordados em Copenhaga.»


O tal aumento de temperatura verificado desde o fim da Pequena Idade do Gelo... altura em que fazia muuuito friiio por essa Europa fora e também América do Norte.


´´
« Os Estados Unidos da América assumiram o compromisso de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa entre 26-28% até 2025, com base em 2005. A China assumiu que o seu pico de emissões seria alcançado em 2030 e a União Europeia assumiu um compromisso de redução de 40% das emissões de GEE em 2030, em relação a 1990.»


Mais uma vez, convém lembrar que o que vocês ambientalistas chamam de "efeito de estufa" não é mais do que o fenómeno físico chamado "retenção de calor".

Qualquer substância aquece quando sujeita a uma fonte de calor (por exemplo o Sol) mas logo que essa fonte de calor deixa de incidir sobre essa substância imediatamente o calor armazenado começa a libertar-se e esta arrefece.

A estufa, por seu lado, é concebida para aprisionar o calor mesmo depois de a fonte de calor ter desaparecido.

Insistirem que existem gases com efeito de estufa (que aprisionam o calor) é atribuir aos gases características que estes não têm. Os gases (como qualquer outra substância ou material) de facto armazenam calor quando sujeitos a uma fonte de calor (pode ser o Sol durante o dia mas também podem ser os mares ou oceanos durante a noite a aquecer a atmosfera) mas imediatamente o libertam quando deixam de estar sob a influência dessa fonte de calor, não o aprisionam.

Neste aspecto, os gases em nada são diferentes de um qualquer objecto que coloquemos ao Sol... obviamente aquecem quando expostos ao sol mas logo que deixam de estar expostos ao Sol arrefecem.


´´
«Estes compromissos assumidos conduzirão o mundo a um aumento da temperatura média global de pelo menos 2,7ºC [2].»


Não tardará muito para começarem a reclamar de igualmente hipotéticos aumentos mas de 3ºC e depois 3,5ºC e sabe-se lá até onde terão o descaradamente de ir!


´´
« Nesse mundo, a realidade diária será pautada por cheias e secas mais frequentes, escassez de água e de alimentos, aumento do número de refugiados e conflitos, bem como danos irreversíveis para os ecossistemas, as economias e as comunidades humanas.»


Que bonito que é ver estes ambientalistas confundirem previsões baseadas em modelos informáticos defeituosos com a futura "realidade diária"!

De humberto a 28.11.2015 às 10:51

(continuação...)

Em vez de se limitarem a futurologia tremendamente cara (e paga dos bolsos dos contribuintes) vejam o que reais avanços tecnológicos conseguirão atingir num futuro não muito distante.



http://hypescience.com/por-que-a-energia-nuclear-pode-ser-a-energia-“verde”-do-futuro/

"Desde 1986, com o desastre de Chernobyl, a energia nuclear é vista com desconfiança pelo público em geral. Realmente, as usinas nucleares podem ser muito perigosas, mas além do perigo da segurança das instalações ainda há outros fatores que prejudicam a popularidade desse tipo de energia. Confira:

. A energia nuclear pode ser usada para a construção e proliferação de armas nucleares.
. A construção de uma usina nuclear é cara e demora de 15 a 20 anos para ser concluída.
. Elas funcionam à base de urânio, elemento que não é muito fácil de ser encontrado.
. Os resíduos da fissão nuclear são elementos altamente radioativos.

No entanto esse é só um lado da história. Saiba por que a energia nuclear ainda é considerado um modo de geração de energia vantajoso:

. Usinas nucleares produzem um milhão de vezes a energia que hidrelétricas e energia eólica são capazes de produzir.
. Elas são responsáveis por 18% da produção de energia elétrica mundial.
. Não há liberação de gases do efeito estufa nas reações nucleares.
. A fissão usa muito pouco urânio. As reservas atuais poderiam durar por até 100 anos.
. Combustível nuclear é barato e fácil de ser transportado.

Além disso, há quatro avanços tecnológicos em desenvolvimento, que devem amenizar as desvantagens da energia nuclear:

. Reatores em miniatura, do tamanho de uma banheira, podem fornecer energia para 20 mil casas. A inovação deverá começar a ser usada em 2020. Além disso eles são baratos e, por seu tamanho, fáceis de transportar.
. Reatores da 4ª. geração (hoje usamos reatores de 2ª. e 3ª.) estão sendo desenvolvidos – eles deverão ser mais seguros, econômicos e sustentáveis. Devem começar a funcionar na década de 2030.
. O tório pode produzir 200 vezes mais energia do que a mesma quantidade de urânio e 3,5 milhões de vezes a mais do que carvão natural. Ele é mais abundante que urânio, não pode ser “convertido” em arma nuclear e pode livrar o mundo da necessidade de petróleo.
. Está sendo estudada a possibilidade de construir, em 2040, um reator nuclear que usa a água do mar na França. A energia seria limpa e, teoricamente, ilimitada.

Então, apesar de sua fama ruim, a energia nuclear pode ser a solução mais viável para que, no futuro, nossas casas continuem recebendo eletricidade. E você, leitor, o que acha? [EnvironmentalGrafitti]"



http://scribol.com/environment/why-nuclear-power-could-be-the-future-of-green-energy





Reactores nucleares de 4.ª geração capazes de reprocessar aquele que é actualmente o lixo nuclear das actuais centrais.
Dito de outro modo, é um autêntico quatro em um (no mínimo): centrais muito mais limpas, muito mais seguras, capazes de eliminar o actual lixo nuclear e até teriam a capacidade de agradar a ambientalistas sem miolo que odeiam CO2.


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