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Papa Francisco nas Nações Unidas – “Ambiente deve ter os mesmos direitos e proteção que a pessoa humana”

Sexta-feira, 25.09.15

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Esta manhã, o Papa Francisco dirigiu-se à Assembleia Geral das Nações Unidas, aqui em Nova Iorque (onde a Quercus também participa na Cimeira para adoção dos Objetivos para o desenvolvimento Sustentável até dia 27 de setembro).

Depois de uma ligeira introdução, quer do Presidente da Assembleia Geral, que referiu a necessidade de podermos ter e devemos ter um acordo climático em Paris dentro de dois meses, o Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon considerou as Nações Unidas como o único palco que permite falar para todo o mundo. Tratou-se de um momento histórico, em que pela primeira vez um Papa se dirigia a uma Assembleia Geral, aquando da sua abertura, no contexto de uma reunião onde o desenvolvimento sustentável se ajusta completamente às questões levantadas pela recente encíclica que menciona a ecologia integral, justiça social e bem-estar humano. Mais uma vez, também Ban Ki-moon se referiu ao principal desafio que são as alterações climáticas e as próximas decisões em Paris. De uma forma geral, apelou à mobilização do mundo, independentemente da religião, para melhorar a qualidade de vida de todos.

Seguiu-se a longa intervenção do Papa Francisco (conteudo total aqui), começando por mencionar o papel das Nações Unidas, sem as quais a humanidade estaria muito pior que atualmente. Falou da necessidade de uma maior igualdade, de um desenvolvimento mais sustentável – “é necessário dar meios aos países que apesar do progresso, são submetidos a grande pobreza, exclusão e dependência”. Mencionou, no contexto dos valores católicos, o valor intrínseco de cada criatura e que o “Homem deve usar a natureza mas não pode dela abusar ou destrui-la”. O ambiente é um bem fundamental e a sua destruição é acompanhada por um processo de exclusão, egoísta e de prosperidade material e de usos nocivos e de exclusão dos mais fracos. A consequência dos abusos do ambiente traduz-se numa cultura do desperdício!

Sobre as alterações climáticas - Conferência de Paris – declarou como fundamental um acordo efetivo. “Mas cometimentos sólidos não são suficientes - é preciso passos e medidas concretas para preservar e melhorar o ambiente e terminarmos também a exclusão social e económica”, tendo dado inúmeros exemplos. “A magnitude e os custos de vidas inocentes, deve-nos evitar ficarmo-nos por uma declaração que amenize as consciências”. É necessário garantir que as instituições dão uma resposta em relação a estas questões. Precisamos de instrumentos técnicos de verificação. O alojamento, trabalho, terra têm de ser enquadrados com os direitos espirituais e humanos. Lembrou a necessidade de uma agenda efetiva, prática e imediata. “Uma economia baseada na riqueza e no poder, esquece a natureza. A criação está comprometida e nós temos a palavra final. Falou ainda dos conflitos, mencionando que a guerra é um drama que constitui também um assalto ao ambiente e relevou o papel importante da Carta das Nações Unidas. “A Casa Comum de todos os homens depende da fraternidade universal”. O ambiente deve ter os mesmo e proteção direitos que a pessoa humana”. Apelar à consciência moral, nunca foi tão necessário como hoje, quando o futuro exige soluções imediatas. O futuro exige soluções imediatas. As Nações Unidas são o fórum para as decidir e implementar (seguiram-se vários minutos de aplauso).

Após um pequeno intervalo, e na abertura já da Cimeira para adoção dos agenda para o desenvolvimento até 2030, foi a vez de Malala se dirigir aos lideres mundiais pedindo a todos um conjunto de promessas em diferentes domínios, em particular na educação.

 

 

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publicado por Quercus às 16:37


1 comentário

De Humberto a 26.09.2015 às 10:20

Limitar-me-ei a comentar a seguinte frase porque, sinceramente, o resto nem vale o esforço:

«O ambiente deve ter os mesmo e proteção direitos que a pessoa humana»

Há coisas que me deixam estupefacto: um Papa a fazer declarações dignas do ambientalista mais radical e extremista que se possa imaginar.

Será que o Papa e o Cardeal que escreveu o discurso e ainda o Colégio dos Cardeais que fez a revisão do discurso, não têm noção da implicação desta afirmação? Das consequências resultantes duma atribuição ao ambiente dos mesmos direitos e protecção devida aos seres humanos?

O que vale é o discurso ser apenas para celebrar o «momento histórico, em que pela primeira vez um Papa se dirigia a uma Assembleia Geral, aquando da sua abertura» e ser essencialmente um discurso para político aplaudir e esquecer... mas, mesmo assim, há que medir as palavras e estar atento a possíveis interpretações abusivas.


A sua eleição prometia tanto e, no entanto, sai asneira.



Felizmente ainda há na Igreja quem tenha bom senso nesta questão:

Cardeal George Pell, Arcebispo de Sydney e “ministro da Economia” do Vaticano

http://vaticaninsider.lastampa.it/vaticano/dettaglio-articolo/articolo/42448/

´´

«Senior cardinal breaks ranks by questioning the Pope’s authority to pronounce on climate change»

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3168531/Senior-cardinal-breaks-ranks-questioning-Pope-s-authority-pronounce-climate-change.html

´´

Cardeal George Pell: “A Igreja não tem mandato divino para falar sobre questões científicas”

http://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/2015/09/cardeal-pell-igreja-nao-tem-mandato.html

«cardeal George Pell, Arcebispo de Sydney e “ministro da Economia” do Vaticano, foi entrevistado pelo jornal econômico “Financial Times” no mesmo dia em que apresentou o estado das contas da Santa Sé.

Na oportunidade, falando a propósito da encíclica “Laudato si'”, o purpurado esclareceu que “a Igreja não tem mandato do Senhor para se pronunciar sobre questões científicas”, segundo noticiou o site Vatican insider.

O “Financial Times” entendeu que o cardeal se distanciou assim da “revolucionaria encíclica do Papa, que pede uma ação global contra a mudança climática”.

O cardeal afirmou sobre a Laudato si': “Há partes que são belíssimas. Mas a Igreja não tem competência alguma especial em matéria de ciência. A Igreja não tem um mandato do Senhor para se pronunciar sobre questões científicas. Nós acreditamos na autonomia da ciência”.»


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