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Promessas vazias: G20 financia combustíveis fósseis mais do que energias renováveis

Sexta-feira, 13.11.15

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 Os países do G20 atribuem, em média, 452 mil milhões de dólares por ano do erário público em subsídios para a produção de combustíveis fósseis. Esta é a principal conclusão de um estudo hoje divulgado pelas organizações Oil Change International, Overseas Development Institute e Global Subsidies Initiative.

O apoio continuado à produção de combustíveis fósseis traz consequências para a economia, com consequências desastrosas para o clima global.

Com efeito, os governos continuam a sustentar a produção de petróleo, gás e carvão, no entanto a maioria destes recursos não pode ser explorada se o mundo quiser evitar as consequências das alterações climáticas nas próximas décadas. É importante reconhecer que os países do G20 estão desta forma a permitir que a exploração de combustíveis fósseis mine os compromissos climáticos assumidos internacionalmente, enquanto subsidiam esta atividade de grande impacto climático.

Em 2009, os líderes do G20 comprometeram-se a eliminar gradualmente os subsídios para os combustíveis fósseis. Na verdade, poucos subsídios são mais ineficientes do que os atribuídos aos combustíveis fósseis. No entanto, o relatório aponta para um grande fosso entre o compromisso e a ação efetiva do G20. Esta lacuna reflete-se no valor de 452 mil milhões de dólares anuais atribuídos para a produção de combustíveis fósseis em 2013 e 2014. Para colocar esse número em contexto, é quase quatro vezes o valor estimado pela Agência Internacional de Energia (AIE) relativo aos subsídios globais para as energias renováveis em 2013.

Este relatório documenta pela primeira vez a dimensão e a estrutura destes subsídios atribuídos a algumas das maiores empresas do mundo e mais poluentes. A análise dos subsídios apresentados neste relatório é consistente com a definição assumida pela Organização Mundial do Comércio (OMC) acordada por 153 países. Foram identificados três tipos de subsídios à produção de combustíveis fósseis:

  • subsídios nacionais atribuídos através de despesas diretas e incentivos fiscais no valor de 78 mil milhões de dólares;
  • investimentos feitos por empresas de capital maioritariamente público no total de 286 mil milhões de dólares;
  • financiamentos provenientes de bancos maioritariamente públicos e outras instituições financeiras e que totalizam 88 mil milhões de dólares anuais, em média, em 2013 e 2014.

Reino Unido destaca-se entre os membros do G20 onde se verificou um aumento significativo dos subsídios para os combustíveis fósseis nos últimos anos, ao mesmo tempo que assumiu o corte de subsídios às energias renováveis (sobretudo solar) e à eficiência energética. As associações de defesa do ambiente esperam que esta e outras revelações possam trazer constrangimentos para alguns países que querem assumir uma posição de liderança na próxima cimeira do clima em Paris, mas cujas políticas internas mostram uma realidade distinta dos compromissos que assumem internacionalmente.  

O próximo dia 14 de novembro será marcado por um apelo global para exigir aos líderes mundiais a eliminação gradual dos subsídios perversos aos combustíveis fósseis. Para mais informações, clique aqui.

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publicado por Quercus às 09:32


2 comentários

De humberto a 22.11.2015 às 14:19

«Os países do G20 atribuem, em média, 452 mil milhões de dólares por ano do erário público em subsídios para a produção de combustíveis fósseis. Esta é a principal conclusão de um estudo hoje divulgado pelas organizações Oil Change International, Overseas Development Institute e Global Subsidies Initiative.»


Mas como a qercus nos informa aqui
http://climaticas.blogs.sapo.pt/portugal-entre-os-campeoes-dos-51706

quando falam de "subsídios para a produção de combustíveis fósseis" estes subsídios não são mais do que impostos não cobrados ou, posto de outro modo, dinheiro que os estados não recebem porque, no parecer de certas gentes, os impostos não são suficientemente altos.

Os "452 mil milhões de dólares" a que chamam de subsídios é, na verdade, dinheiro que nunca foi dos estados (ou erário público). É apenas dinheiro que os estados receberiam se (e é um grande 'se')... se os impostos cobrados ao sector petrolífero fossem tão altos como certas pessoas desejariam.

Portanto, se extraordinariamente vier alguém cá parar através do Google ou coisa parecida e tenha lido o texto da quercus... que passe a ter muita atenção ao que é dito quando o assunto é "subsídios aos combustíveis fósseis", isto se não quiser ficar enganado.


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«O apoio continuado à produção de combustíveis fósseis»


O não aumento dos impostos, deveriam vocês dizer!

Se o não aumento de impostos até ao ponto de estrangulação (como vocês desejam) é para vocês "apoio" então o que dizer do dinheiro que é efectivamente cobrado a mais pelas energias eólica e solar que são muito mais caras do que a proveniente dos combustíveis fósseis?


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« traz consequências para a economia,»


Pelo muito que já li dos textos vossos colocados aqui no blogue um dos vossos objectivos é a total eliminação de combustíveis fósseis mas aqui têm uma bem real consequência de quando uma destas companhias entra em dificuldades:

"Grupo mineiro chinês vai despedir 100 mil trabalhadores"
http://economico.sapo.pt/noticias/grupo-mineiro-chines-vai-despedir-100-mil-trabalhadores_230087.html

A Longmay Mining Holding Group que emprega 240.000 trabalhadores vai despedir 100.000!


Ora digam-me lá se não é isto uma grave consequência? 100.000 trabalhadores despedidos. Quanto tempo demorará cada um deles até conseguir outro sustento?


´´
«com consequências desastrosas para o clima global.»


Para o clima de pobreza global onde muitas pessoas já têm sérias dificuldades em pagar a electricidade para se aquecerem no Inverno é, de facto, uma consequência desastrosa e uma autêntica extorsão imporem-nos a nós consumidores a energia muito mais cara proveniente de centrais eólicas e solares.


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«Com efeito, os governos continuam a sustentar a produção de petróleo, gás e carvão, no entanto a maioria destes recursos não pode ser explorada se o mundo quiser evitar as consequências das alterações climáticas nas próximas décadas.»


Vocês fazem sequer ideia de onde o mundo iria parar se o petróleo, gás e carvão deixassem de ser utilizados para produzir energia?


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« É importante reconhecer queos países do G20 estão desta forma a permitir que a exploração de combustíveis fósseis mine os compromissos climáticos assumidos internacionalmente, enquanto subsidiam esta atividade de grande impacto climático.»


Mais uma vez se deturpa a realidade... e é uma realidade que nem ao menos entendem!


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« Foram identificados três tipos de subsídios à produção de combustíveis fósseis:
. subsídios nacionais atribuídos através de despesas diretas e incentivos fiscais no valor de 78 mil milhões de dólares;»


"despesas diretas"?! Que despesas directas são essas?

E incentivos fiscais agora são subsídios?

Qual é a grande empresa que não recebe incentivos fiscais?

Há que ter atenção que no caso da exploração de combustíveis fósseis os estados recebem contrapartidas. Há benefício mútuo.

De humberto a 22.11.2015 às 14:22

(continuação...)

leiam:

http://www.galpenergia.com/PT/investidor/ConhecerGalpEnergia/Os-nossos-negocios/Presenca-no-mundo/Portugal/Paginas/Exploracao-Desenvolvimento-Portugal.aspx

"Em Portugal a exploração e produção de petróleo não é regulada por nenhum acordo de partilha de produção, baseando-se no modelo adotado noutros países, nomeadamente no Brasil, que contempla o pagamento de royalties e de impostos sobre a produção de petróleo. "



http://economico.sapo.pt/noticias/sousa-cintra-com-licencas-para-explorar-petroleo-no-algarve_229959.html


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«. investimentos feitos por empresas de capital maioritariamente público no total de 286 mil milhões de dólares;»


Investimentos empresariais agora também são subsídios?


´´
«. financiamentos provenientes de bancos maioritariamente públicos e outras instituições financeiras e que totalizam 88 mil milhões de dólares anuais, em média, em 2013 e 2014.»


E até os bancos já nem podem emprestar sem correrem o risco de serem acusados de subsidiar. Logo os Bancos!!!

Haverá alguma coisa relacionada com combustíveis fósseis que vocês não considerem subsídio?

Esta noção de "subsídio" é realmente... coisa de outro mundo!


´´
«O Reino Unido destaca-se entre os membros do G20 onde se verificou um aumento significativo dos subsídios para os combustíveis fósseis nos últimos anos,»


Ou seja, traduzindo... houve no Reino Unido aumento de; "despesas diretas" (seja lá o que isso for), incentivos fiscais, investimentos empresariais e financiamento bancário para os combustíveis fósseis.


´´
«ao mesmo tempo que assumiu o corte de subsídios às energias renováveis (sobretudo solar)»


Ou seja, traduzindo também... houve para as "energias renováveis (sobretudo solar)" um corte no que os cidadãos pagavam a mais pela electricidade na parcela dos custos acrescidos que iam directamente para financiar essas energias mais caras.


´´
« e à eficiência energética.»


E qual é o cidadão que pode pagar pela eficiência energética de suas casas quando mal tem dinheiro para pagar a electricidade no Inverno?


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« As associações de defesa do ambiente esperam que esta e outras revelações»


São excelentes revelações... mas sobre o que se passa na cabeça dos ambientalistas que acreditam em tamanhas trafulhices e de outros que ainda ajudam a difundi-las.


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« possam trazer constrangimentos para alguns países que querem assumir uma posição de liderança na próxima cimeira do clima em Paris, mas cujas políticas internas mostram uma realidade distinta dos compromissos que assumem internacionalmente.
O próximo dia 14 de novembro será marcado por um apelo global para exigir aos líderes mundiais a eliminação gradual dos subsídios perversos aos combustíveis fósseis. Para mais informações, clique aqui.»


Se há alguma coisa perversa essa coisa é a defesa por parte de ambientalistas de uma ideologia que vai contra tudo o que dizem defender.

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