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Relatório expõe impactos ambientais da extração de gás de xisto

Quinta-feira, 04.12.14

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O relatório "Fracking Frenzy" (ver PDF), divulgado recentemente pela ONG Amigos da Terra Europa, evidencia a expansão da exploração de combustíveis fósseis do tipo não convencional (como o gás de xisto) pelo recurso à fraturação hidráulica (“fracking”, em inglês) pelo sector petrolífero por todo o Mundo, e que os planos de desenvolvimento futuro deste tipo de técnica estão a colocar sérios riscos para o ambiente e as comunidades locais.

O estudo avaliada a situação de 11 países em zonas vulneráveis da América Latina (México, Brasil, Argentina), Ásia (Índia, Indonésia, China e Rússia) e África (Marrocos, Argélia, Tunísia, África do Sul) e as conclusões apontam que a fraturação hidráulica tem-se generalizado em ecossistemas mais frágeis do que aqueles onde a tecnologia começou a ser utilizada, nomeadamente em países sob grande escassez de água potável, em áreas de elevado risco sísmico, em regiões onde os aquíferos transfronteiriços são a principal fonte de água potável, etc.

A crescente exploração, à escala mundial, deste tipo de combustíveis fósseis, tem gerado muita controvérsia entre cientistas, empresas, decisores políticos, associações ambientalistas e a sociedade civil, devido ao seu modo de extração. Na América do Norte, mais de uma década de exploração destes combustíveis fósseis não convencionais deixou um sério legado de danos ambientais pelo recurso à fraturação hidráulica.

Esta técnica de perfuração consiste em injetar grandes volumes de água, sob pressão e com a adição de areia e químicos, provocando fraturas para extração do gás no subsolo. Os impactos ambientais são múltiplos, desde o uso de químicos e de grandes volumes de água, até à contaminação de solos e lençóis freáticos, poluição atmosférica e emissões de gases com efeito de estufa, com impacto nas alterações climáticas.

Apesar da controvérsia e das incertezas associadas à fraturação hidráulica, e mesmo considerando que a tecnologia ainda se encontra numa fase inicial de exploração, já é possível constatar inúmeras tentativas de empresas e governos para alterar os quadros jurídicos nacionais, tornando-os mais flexíveis, favoráveis e socialmente aceites para o uso generalizado esta tecnologia, em detrimento da proteção do ambiente e das populações locais.

O relatório apresenta, ainda, algumas perspectivas sobre os impactos dramáticos sobre as alterações climáticas que poderão ser agravadas com a expansão massiva da fraturação hidráulica à escala mundial, com destaque para os elevados custos de exploração pagos pelos países do Sul.

Com o início das negociações climáticas em Lima esta semana, este estudo relembra uma vez mais que não é possível apostar em falsas soluções energéticas, como a exploração de gás de xisto, para combater as alterações climáticas. 

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Mapa mostra as reservas de gás de xisto, em simultâneo com a localização das principais reservas subterrâneas de água potável e com o risco sísmico ao nível global.

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publicado por Quercus às 11:57





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