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Metas de redução de GEE em vigor farão temperatura global subir até 3,4ºC em 2100

Quinta-feira, 03.11.16

A um dia de entrar em vigor o Acordo de Paris, Quercus reforça o alerta

Relatório da ONU divulgado hoje alerta que é preciso um corte adicional de 25% nas emissões de GEE para 2030

emissions gap report 2016.png

 

É preciso incrementar urgentemente o nível de ambição dos objetivos de redução de gases com efeito de estufa (GEE) para ser possível manter o aquecimento global do planeta abaixo dos 2ºC (idealmente 1,5ºC), face aos níveis pré-industriais.

De acordo com a comunidade científica, para que isso seja possível, o limite máximo de emissões a registar-se em 2030 teria de estabilizar nas 42 gigatoneladas de dióxido de carbono (CO2) como principal GEE. Estas são algumas conclusões do ‘Emissions Gap Report 2016’, hoje divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUMA).

Reforçando os apelos que têm vindo a ser veiculados pelos movimentos ambientalistas, e que a Quercus também divulgou no início desta semana, este relatório vem demonstrar que as metas de redução das emissões atualmente assumidas pelos governos conduzirão o planeta por uma rota perigosa de aquecimento da temperatura média global, que ultrapassa os limites de segurança a partir dos quais não será possível evitar as consequências mais graves das alterações climáticas.

Com as atuais metas de redução, as emissões de CO2 atingirão em 2030 valores entre as 54 e as 56 gigatoneladas. Como termo de comparação, 1 gigatonelada é o equivalente às emissões anuais do setor dos transportes de toda a União Europeia, incluindo a aviação. Este cenário significaria um aumento da temperatura entre os 2,9oC e os 3,4oC, muito acima do limite traçado pelo Acordo de Paris, que entra em vigor amanhã, 4 de novembro.

O relatório do PNUMA acrescenta ainda que, caso se leve demasiado tempo a rever as metas atuais de redução de GEE e aumentar os níveis de ambição, poderá perder-se mesmo a oportunidade de alcançar o objetivo dos 1,5ºC, aumentando também os custos associados à transição para uma economia de baixo carbono.  

Nesse sentido, é ‘urgente’ cortar em mais 25% as emissões previstas para 2030.


A Quercus, enquanto membro da Rede Europeia para a Ação Climática, relembra que a União Europeia (UE) desempenha um papel importante no alavancar deste esforço adicional. Para impulsionar a ação climática antes de 2020, a UE precisa de cancelar o excesso de licenças de emissão - mais de 3 mil milhões - que terá acumulado até 2020, no âmbito do Regime de Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (RCLE-UE).

De acordo com a proposta em cima da mesa para a revisão da Diretiva que regulamenta o RCLE-UE, essas licenças poderão vir ser usadas no período pós-2020 para baixar o nível de ambição das metas de redução de emissões de GEE para 2030.

O ‘Emissions Gap Report’ está disponível em: http://web.unep.org/emissionsgap/

As expectativas da Quercus para a COP22: http://climaticas.blogs.sapo.pt/quercus-exige-mais-ambicao-aos-69066


Quercus em Marraquexe já na próxima semana

A Quercus, membro da Rede Europeia de Ação Climática (CAN-Europe), estará presente em Marraquexe a partir da próxima semana e até ao final da COP22, integrada na delegação oficial portuguesa e como representante das organizações não-governamentais portuguesas de ambiente e da sociedade civil.

 

Lisboa, 3 de novembro de 2016,

A Direção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza

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publicado por Quercus às 19:07

Quercus exige mais ambição aos decisores políticos na 22ª Conferência do Clima da ONU, que irá acompanhar desde Marraquexe

Quarta-feira, 02.11.16

Pontos chave

  • Urgente ratificação do Acordo de Paris pelas 197 partes signatárias
  • Contribuições nacionais de redução de GEE têm de ser mais ambiciosas
  • Redução de emissões insuficiente para limitar aquecimento global abaixo dos 1,5 - 2ºC
  • Roteiro para financiamento climático é peça chave para sucesso da COP22
  • Metas energéticas e climáticas da UE e de Portugal para 2020 e 2030 têm de ser revistas
  • Política energética portuguesa tem de ser coerente: eficiência energética e renováveis são incompatíveis com aposta nos combustíveis fósseis

 

Lisboa, 2 novembro 2016 - Começa na próxima segunda-feira, 7 de novembro, a 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP22), que decorrerá na cidade de Marraquexe, em Marrocos, até ao dia 18 de novembro. Em contagem decrescente para o arranque da Conferência, a Quercus, que acompanhará os trabalhos a partir de Marraquexe, deixa as suas expectativas e recomendações para os decisores políticos.

As expectativas são elevadas, particularmente para perceber de que forma a comunidade internacional irá cumprir os seus compromissos climáticos e limitar o aquecimento global do planeta abaixo dos 2ºC, e desenvolver esforços para ir mais além, abaixo dos 1,5ºC.

 

De Paris a Marraquexe

O Acordo de Paris, alcançado na COP21, em dezembro de 2015, foi sem dúvida um marco histórico, bem como o fato de entrar em vigor já esta semana, a 4 de novembro, menos de um ano depois de ter sido aprovado e quatro anos antes do prazo oficial (2020). No entanto, um acordo climático histórico não é suficiente por si só. Há que aumentar o nível de ambição em termos de redução de emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e, nesse sentido, a COP22 terá de conseguir manter o fulgor trazido da COP21.

Se a ratificação e entrada em vigor do Acordo de Paris trouxe esperança e mostrou vontade política, o sucesso ou insucesso da COP22 vai jogar-se nos detalhes. Os representantes dos 197 países que assinaram o documento colocarão em cima da mesa os seus planos de implementação a nível nacional. E aqui, são várias as questões em aberto para alcançar as metas climáticas prometidas em Paris.

Mais ambição nas contribuições nacionais de redução de GEE

A importância política e simbólica do Acordo de Paris não pode, no entanto, ofuscar as fragilidades que resultaram da COP21.

Um dos pontos-chave será perceber de que forma é que as contribuições nacionais (INDCs - Intended Nationally Determined Contributions) serão revistas e reforçadas. É sabido que os atuais compromissos de redução de emissões são insuficientes e, a manterem-se, conduzirão o planeta a um perigoso aumento da temperatura global superior a 3ºC.

Por outro lado, que financiamento climático adicional é necessário? Poderemos acelerar as estratégias de adaptação às alterações climáticas e aumentar a resiliência? Como podemos consolidar e expandir a mobilização para a ação climática junto das autarquias e empresas?

Revisão das metas de 5 em 5 anos não chega

Outra grande dúvida é saber se os países que assinaram o documento vão reconhecer a insuficiência das suas metas nacionais ou se, pelo contrário, se vão limitar a cumprir a revisão a cada 5 anos exigida no Acordo.

Conseguir uma rápida implementação do Acordo de Paris e assegurar urgentemente um maior nível de ambição serão os dois grandes pontos-chave da COP22. Caso seja bem sucedida nestes dois esforços, abrirá um (bom) precedente para os “diálogos facilitadores” que ocorrerão em 2018 e nos quais se fará um balanço dos esforços desenvolvidos pelos países para cumprir os objetivos climáticos estabelecidos para o longo prazo.

Financiamento climático é um dos pontos chave

Ao invés de apontar o dedo ou relembrar as lacunas institucionais existentes, os esforços devem concentrar-se em incentivar os países para superarem os seus objetivos no período pré-2020. Por outro lado, é preciso fazer progressos ao nível das instituições da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC, da sigla em inglês) e do apoio que podem dar, em particular, aos países em desenvolvimento no acesso a financiamento e na concretização das suas ações de mitigação propostas.

Alavancar a questão do financiamento climático será um dos requisitos chave para garantir o sucesso da COP22. É necessário um roteiro claro, um plano fiável e robusto que demonstre de que forma os países desenvolvidos cumprirão a sua promessa de disponibilizar 100 mil milhões de dólares por ano (o designado Fundo Verde para o Clima da Organização das Nações Unidas), não esquecendo as questões relacionadas com prestação de contas e transparência.


Necessárias verbas para adaptação e tecnologia

A COP22 pode e deve ser também um marco importante nas negociações sobre ‘Perdas e Danos’, na medida em que é essencial assegurar um plano ambicioso de 5 anos sobre esta matéria para os países mais vulneráveis.

Pedem-se também progressos ao nível da adaptação às alterações climáticas. Neste capítulo, a criação de iniciativas multinacionais de adaptação e a afetação de verbas para este fim serão passos decisivos, a par com os esforços de mitigação (ou seja, de redução das emissões de GEE). Neste ponto, e uma vez que os direitos de tecnologia representam aqui um papel central para a implementação do Acordo, há que repensar a escassez crítica de verbas para a investigação e desenvolvimento nesta área.

A COP22 terá que preparar o terreno para a rápida entrada em vigor do Acordo de Paris, bem como estabelecer as expectativas para os diálogos de 2018. Depois de Paris, as negociações de Marraquexe precisam de terminar num tom positivo, para que o optimismo trazido da COP21 não seja apenas uma falsa partida.

UE tem de rever em alta as suas metas climáticas

A União Europeia (UE) precisa de rever a sua política climática e energética, para estar em linha com objetivo de limitar o aquecimento global do planeta a 1,5ºC.


Atingir zero emissões líquidas de GEE na segunda metade deste século implica que a maior parte dos setores da economia da UE alcancem a descarbonização total nas próximas duas décadas. Nesse sentido, a UE deve urgentemente implementar um calendário para descontinuar a utilização de combustíveis fósseis, como o petróleo, carvão e gás natural.

Por outro lado, a UE tem de rever em alta as suas metas climáticas para 2030, uma vez que o bloco europeu irá ultrapassar o seu objetivo de redução para 2020, ficando provavelmente mais próximo dos 30%. Apesar de parecer uma grande conquista, não deve servir de motivo para os Estados-Membros descurarem os seus compromissos para o período pós-2020.

Se tivermos em conta que o atual objetivo para 2030 prevê uma redução das emissões de GEE de pelo menos 40%, a “conquista” atrás referida poderá significar que a UE não fará muito mais na próxima década.


Para manter a liderança climática, a UE deverá:

1. Colocar em cima da mesa medidas concretas para assegurar cortes adicionais às emissões de GEE, ainda antes de 2020. Uma dessas medidas seria acabar com o excesso de licenças de emissão ao abrigo do Regime de Comércio de Licenças de Emissão da UE (RCLE-UE);

2. Apresentar na COP22 um plano concreto de revisão da sua meta climática para 2030, atualmente inadequada; este plano deverá acautelar a revisão dessas metas pelos Chefes de Estado, a tempo dos diálogos facilitadores em 2018;

3. Revisão legislativa de pilares estratégicos da sua política climática e energética, como o RCLE-UE, a decisão relativa à partilha de esforços (em setores não abrangidos pelo RCLE-EU, como a agricultura, os transportes e os edifícios), a Diretiva de Eficiência Energética e a Diretiva sobre Energias Renováveis.


Portugal tem de dizer não definivo aos combustíveis fósseis

De acordo com o que está estabelecido no Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC) 2020/2030, Portugal tem por objetivo reduzir as suas emissões de GEE entre 18% e 23%, em 2020, e 30% a 40%, em 2030 (ambas com base em 2005).

Uma vez que Portugal já reduziu as suas emissões em 27% (sem considerar as alterações de uso do solo), tal significa que estamos no bom caminho, tendo já ultrapassado a meta mais ambiciosa para 2020 e estando próximo de alcançar a meta mínima para 2030. Com a entrada em vigor do Acordo de Paris, Portugal está obrigado, à semelhança dos restantes países que ratificaram o Acordo, a rever as suas metas a cada cinco anos.

Tendo em consideração o nível de ambição necessário para limitar o aquecimento global do planeta em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, Portugal deverá repensar também a sua política climática e energética, pela:

1. Revisão da meta de energias renováveis. É possível atingir 100% de eletricidade renovável já em 2030;

2. Rejeição da exploração de petróleo e gás em território nacional, cancelando as 15 concessões atuais de prospeção e exploração destes combustíveis fósseis na costa portuguesa;

3. Abandono do uso do carvão e fazer a transição para o gás natural nas centrais termoelétricas;

4. Aceleração da reabilitação urbana com requisitos ambiciosos em termos de eficiência energética e uso de energias renováveis;

5. Revisão da política de mobilidade, através de uma forte aposta na expansão e melhoria da eficiência dos transportes coletivos e dos modos suaves de mobilidade nas cidades, em detrimento da utilização do transporte individual;

6. Recurso à mobilidade elétrica e combustíveis alternativos de baixas emissões de carbono.


Quercus marca presença em Marraquexe
A Quercus, membro da Rede Europeia de Ação Climática (CAN-Europe), estará presente em Marraquexe a partir do dia 7 de novembro e até ao final da COP22, integrada na delegação oficial portuguesa e como representante das organizações não-governamentais portuguesas de ambiente e da sociedade civil.



Lisboa, 2 de novembro de 2016


A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza


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publicado por Quercus às 18:27

Transportes são o maior problema climático, segundo a AEA

Quarta-feira, 22.06.16

transito.png A Agência Europeia do Ambiente (AEA) divulgou ontem que as emissões de gases com efeito de estufa (GEE) provenientes dos transportes aumentaram, pela primeira vez, desde 2007, enquanto as emissões de outros setores da economia têm vindo a diminuir.

O último relatório sobre a evolução das emissões de GEE, ao nível da União Europeia (UE) mostra que, em 2014, os transportes tornaram-se o maior emissor de GEE na Europa.

 

 

Transportes ultrapassaram produção de energia

As emissões de GEE de todos os modos de transporte aumentaram 0,6% para 1.153 milhões de toneladas de CO2 equivalente (Mt CO2eq.), enquanto estas emissões diminuíram em outros sectores da economia.

O sector da produção de energia era, até recentemente, o maior emissor de CO2, mas as emissões caíram 7,4%, para 1.066 Mt CO2eq. Esta tendência está relacionada com o efeito combinado do encerramento de centrais termoelétricas movidas a combustíveis fósseis (cerca de 10 MW) e a instalação de nova capacidade de produção de energia eólica e solar (20 GW) em todo o continente europeu.

 

Comissão Europeia prepara estratégia de descarbonização dos transportes, entre outras medidas

As evidências anteriores são muito significativas, num momento em que a Comissão Europeia está a preparar o lançamento de uma estratégia europeia para a descarbonização dos transportes para o próximo dia 20 de Julho.

Na mesma data, a Comissão também vai apresentar uma proposta de compromisso para  reduzir as emissões de GEE dos sectores não abrangidos pelo Regime do Comércio de Licenças de Emissão da União Europeia (RCLE-UE) – sendo o mais importante, precisamente, os transportes – para cumprir a meta de redução das emissões de GEE de 30%, entre 2005 e 2030, através do mecanismo designado de “decisão relativa à partilha de esforços”.

Estes números representam um alerta para aqueles que pensavam que a Europa estaria a ignorar as emissões dos transportes que continuam a ser, sem sombra de dúvida, o maior problema climático da Europa.

A Comissão Europeia não tem escolha, senão ajudar os Estados-Membros e elaborar uma estratégia ambiciosa para aumentar a eficiência e a eletrificação nos transportes, como a proposta de novos limites de emissão de CO2 para os novos veículos ligeiros e pesados em 2025.

 

Aviação e transporte marítimo internacional põem em causa metas da UE para 2030

Para além disso, as emissões de CO2 provenientes da aviação e do transporte marítimo internacional que não estão incluídas no inventário das  emissões totais de GEE na UE, sofreram um aumento de 1,6% (no caso da aviação) e uma diminuição de 0,2% (no caso do transporte marítimo). Se as emissões destes dois sectores fossem incluídas no inventário das emissões totais de GEE, a contribuição dos transportes para as emissões totais líquidas de CO2 da UE seria de 31%, dos quais a aviação e o transporte marítimo representariam 7,3%.

Estas tendências são um risco claro para alcançar as metas de redução de emissões da UE em 2030, e mostram claramente que existem medidas eficazes para controlar as emissões da aviação e transporte marítimo internacional que são necessárias e urgentes. Para a Europa, contar com a ação exclusiva de duas agências das Nações Unidas – com um histórico considerável de inação e derrogações em decisões importantes, em matéria de redução das emissões da aviação e do transporte marítimo internacional -  seria uma traição clara aos compromissos assumidos em Paris pela UE. O sector do transporte internacional (aéreo e marítimo) devem contribuir para as metas climáticas em 2030 da UE, e seguir o exemplo de outros setores da economia.

 

Emissões dos transportes podem estar subestimadas

As associações de defesa do ambiente salientam ainda que as emissões dos transportes são superiores aos valores apresentados pela AEA,  porque os biocombustíveis (de primeira geração) utilizados nos transportes são contabilizados como emissões “zero” de carbono e, portanto, "desaparecem" da contabilização das emissões totais de GEE. A maioria destes biocombustíveis têm impactos climáticos comparáveis ou mesmo superiores aos combustíveis fósseis que pretendem substituir. Isto significa que as emissões dos transportes são, na realidade, cerca de 6% superiores aos valores indicados pela AEA [1].

 

Nota:

[1] Análises e dados de mercado recentes indicam que o biodiesel produzido a partir de culturas agroalimentares pode apresentar emissões até 80% superiores ao gasóleo, enquanto o bioetanol pode apresentar emissões até 30% mais reduzidas do que a gasolina. Sendo a quota de biocombustíveis no mercado na UE de 350 milhões de toneladas de petróleo equivalente (Mtoe), o consumo total de energia nos transportes, em 2014, foi de cerca de 3% e 1%, respetivamente, o que representa uma lacuna de cerca de 3*1,8% + 0,7% = 6%. 

 

 

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publicado por Quercus às 15:35

ONG defendem redução drástica das emissões poluentes das centrais termoelétricas a carvão

Sábado, 05.12.15

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Um estudo publicado hoje pela Rede europeia de Acção Climática (CAN Europe) e pelo Greenpeace Reino Unido revela que as emissões de dióxido de carbono das envelhecidas centrais a carvão europeias terão de ser reduzidas três vezes mais rapidamente do que o ritmo actual, de forma a cumprir os esforços globais para limitar o aquecimento global.

O relatório, realizado com o apoio de analistas do Sandbag, baseia-se numa base de dados abrangente que permite pela primeira vez calcular a quantidade de carbono libertada pelas 280 centrais atualmente em funcionamento na UE, incluindo duas em Portugal (Sines e Pego).

Em 2014, esta enorme frota europeia de centrais a carvão lançou um total de 762 milhões de toneladas de CO2 – o equivalente às emissões combinadas de França, Espanha e Portugal. Esta fatia corresponde a quase um quinto (18%) das emissões totais de gases com efeito de estufa na UE, quase tanto quanto a fatia do setor dos transportes rodoviários (21%).

Acresce, conclui o estudo, que dois terços (66%) destas centrais estão em operação há 30 anos ou mais, o que as torna particularmente ineficientes, poluidoras e propensas a falhas.

Segundo especialistas da Agência Internacional da Energia, citados no estudo, as emissões de carbono com origem na queima de carvão terão de descer em média 8% por ano até 2040 para manter o aquecimento global abaixo de dois graus. Mas o relatório mostra que estas emissões só desceram uma média de 2,3% anuais nos últimos nove anos.

As ONG instam os líderes europeus a controlar a poluição destas centrais a carvão, através do estabelecimento de planos nacionais claros, com prazos para excluir o carvão dos seus sistemas de energia. Reino Unido, Áustria e Finlândia já avançaram com compromissos neste sentido.  

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publicado por Quercus às 10:46

O que quer que aconteça em Paris: 4 razões para que o futuro seja baseado em energia renovável

Quinta-feira, 19.11.15

Mais de 60 ministros do ambiente reuniram-se na semana passada em Paris para moldar o resultado das negociações climáticas para um novo acordo global, a definir em Paris. Independentemente do texto que vier a constar do acordo final, está claro que o futuro baseado em baixas emissões de carbono será alimentado por energia renovável.

Eis as razões:

1. É o único caminho a seguir: O ano de 2015 será recordado como o ano mais quente registado da história e a dinâmica é construir o caminho para enfrentar as alterações climáticas. Os países que representam 90 por cento das emissões globais de CO2 já apresentaram os seus planos de ação climática antes das negociações de Paris, mas há uma diferença entre o que os governos se comprometeram a fazer e o que precisa de ser feito para limitar o aumento de temperatura global abaixo dos 2°C. O setor da energia é responsável por cerca de dois terços das emissões globais. O uso de fontes de energia renovável e o aumento da eficiência energética são os únicos caminhos tecnológicos que podem ser implantados de forma rápida e em escala suficiente para colmatar esta lacuna no tempo.

2. É a opção de menor custo: As energias renováveis ​​são (e continuarão a ser) as fontes mais acessíveis de energia em muitas partes do mundo. Desde a conferência do clima em Copenhaga, em 2009, os custos dos painéis solares fotovoltaicos caíram abruptamente 75 por cento. A energia eólica onshore (em terra) é agora uma das fontes mais competitivas de energia elétrica disponíveis com alguns projetos a produzir energia elétrica a um preço tão baixo quanto 5 cêntimos de dólar por cada quilowatt-hora. A energia de biomassa, geotérmica, hídrica e eólica onshore são competitivas, em termos de custos, com o carvão, gás e petróleo, mesmo na ausência de incentivos financeiros e apesar da queda dos preços do petróleo. Em contraste, a exploração de combustíveis fósseis está a tornar-se mais difícil e cara, e traz custos externos associados com a poluição e a saúde, os quais estão a ser cada vez mais tidos em consideração. Quando se contabiliza o custo da poluição, incluindo problemas de saúde, degradação ambiental e as emissões de CO2, a duplicação da quota global de energias renováveis ​​resultaria numa economia anual de, pelo menos, 740 mil milhões de dólares até 2030.

3. Cumpre outros objetivos ao longo do caminho: A energia renovável é a forma mais rápida e segura para fornecer serviços energéticos modernos a mais de um bilião de pessoas que atualmente não têm acesso a energia elétrica. Soluções off-grid (não ligadas à rede) baseados em energias renováveis podem responder à maioria - cerca de 60 por cento - das necessidades de procura de energia. As Ilhas Marshall, por exemplo, investiram em energias limpas em mais de 95 por cento das comunidades insulares em zonas remotas, graças à instalação de sistemas solares fotovoltaicos autónomos. No Bangladesh, o programa de sistema solar doméstico incluiu a implantação de 3,6 milhões de unidades que beneficiaram mais de 20 milhões de pessoas. Para além do fácil acesso, a energia renovável também gera empregos, reduz significativamente a poluição do ar e aumenta o crescimento do Produto Interno Bruto por meio da redução de custos, desenvolvimento de indústrias nacionais e criação de valor local.

4. A transformação já está em andamento: As energias renováveis são responsáveis por mais da metade da nova capacidade de produção de energia, ao nível global, desde 2011. Mais de 130 países já se comprometeram com uma meta de descarbonização de longo prazo. Empresas como a IKEA, a Johnson&Johnson, a H&M, a Nike e a Nestlé juntaram-se à iniciativa RE 100, empenhadas para cumprir o objetivo de 100% renovável. E novos compromissos são anunciados dia a dia.

Todas estas ações têm uma coisa em comum: as decisões foram tomadas porque as energias renováveis beneficiam ​​não só o clima global, mas também a economia, o mercado de trabalho e as pessoas. Estas são razões que explicam porque as energias renováveis ​​são agora a segunda maior fonte de energia elétrica a nível global, depois do carvão - à frente do gás, do petróleo e da energia nuclear.

Não se trata mais da questão 'se' o mundo vai fazer a transição para um futuro baseado em energia renovável, mas sim se o mundo irá fazê-lo suficientemente rápido. As escolhas que faremos sobre opções energéticas nos próximos anos vai determinar se somos capazes de fechar a lacuna das emissões, e ao fazê-lo, se seremos capazes de tornar o clima mais seguro e habitável onde as gerações futuras possam prosperar.

Em dezembro, pela primeira vez em qualquer conferência climática organizada pela Nações Unidas, as soluções de energia renovável terão um papel central. Durante uma série de eventos e negociações políticas ao mais alto nível, a opção pelas energias renováveis ​​será apresentada como a mais rápida, mais limpa, mais segura e economicamente mais benéfica para satisfazer os objetivos climáticos assumidos.

O que quer que seja o resultado das negociações de Paris, uma coisa é certa: o futuro pertence às energias renováveis.

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publicado por Quercus às 11:18

Portugal entre os campeões dos subsídios aos veículos a gasóleo

Sexta-feira, 06.11.15

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Um estudo divulgado na semana passada pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a Quercus faz parte, mostra que os impostos sobre a gasolina são, em média, 14 cêntimos mais elevados do que sobre o imposto sobre o gasóleo na União Europeia (UE), o que se traduz num subsídio na ordem dos 2.600 euros por cada veículo a gasóleo ao longo do seu ciclo de vida.

Portugal é o terceiro país onde este diferencial assume maior importância, já que o valor do imposto aplicável à gasolina era, em 2014, cerca de 22 cêntimos mais elevado que o imposto pago pelos veículos a gasóleo.

Numa altura em que se verifica a descida dos preços do petróleo e face às notícias sobre a manipulação das emissões poluentes em veículos a gasóleo, este estudo vem sublinhar a importância dos países da UE acabarem com este subsídio e alinharem os impostos sobre o gasóleo e a gasolina.  

Este ‘desconto’ de 30% a favor do gasóleo é uma das principais razões que explica o facto dos veículos a gasóleo liderarem as vendas ao nível da UE. Esta tendência conduz ao agravamento da poluição, sobretudo nas cidades, tendo em conta que 9 em cada 10 veículos a gasóleo não cumprem os limites de emissão de óxidos de azoto (NOx) na estrada, face aos ensaios de laboratório.

De acordo com outro estudo recentemente divulgado pela Universidade Nova de Lisboa, só os veículos a gasóleo envolvidos na fraude das emissões poluentes do grupo Volkswagen levaram à emissão adicional de 807 toneladas de NOx, por ano, em Portugal. Este poluente tem efeitos na saúde humana, como o aumento de doenças respiratórias (por exemplo, a asma), tendo maior incidência em grupos sensíveis da população (nomeadamente crianças).

Grécia, Holanda e Portugal são os Estados-Membros “campeões” dos subsídios indiretos ao gasóleo de acordo com o estudo divulgado pelo T&E. Os impostos mais baixos sobre o gasóleo não têm ajudado também à redução das emissões de gases com efeito de estufa (responsáveis pelo agravamento das alterações climáticas), ao incentivarem veículos mais pesados e o aumento da mobilidade em veículos particulares.

Alguns países europeus já estão a rever as suas estratégias de fiscalidade sobre o gasóleo. A Bélgica e a França anunciaram planos para acabar com este diferencial nos próximos anos. O Reino Unido já aplica o mesmo valor de imposto por litro de gasolina e de gasóleo. Ainda assim, o gasóleo mantém uma vantagem ao apresentar um conteúdo energético 10% superior ao da gasolina.

Para a Quercus, apesar de Portugal estar na linha da frente na promoção dos veículos elétricos, nomeadamente por razões ambientais, este estudo mostra que o nosso país está entre os Estados-Membros que mantêm incentivos aos carros a gasóleo, o que não têm justificação na perspetiva ambiental.

É urgente corrigir esta perversidade do sistema que induz a utilização de veículos mais prejudiciais à saúde e à qualidade de vida nas nossas cidades.

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publicado por Quercus às 09:58

Indústria automóvel: É necessário mais rigor e transparência nos testes de emissão

Quarta-feira, 30.09.15

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Um novo estudo da Federação Europeia para os Transportes e Ambiente (T&E) mostra que alguns modelos das marcas Mercedes, BMW e Peugeot têm consumos de combustível cerca de 50% superiores aos valores oficiais fornecidos pelas marcas.

Os novos modelos destas marcas, incluindo o Mercedes A, C e Classe E, BMW Série 5 e Peugeot 308, consomem cerca de 50% mais combustível em condições reais de condução do que os consumos oficiais obtidos a partir de testes de laboratório. A diferença entre os consumos em estrada e a partir de testes de laboratório em muitosmodelos de automóveistem crescido significativamente nos últimos anos, o quenão pode ser explicado através de fatoresconhecidos, incluindomanipulaçõesde testes.

Enquanto este estudo não constitui prova da instalação de  dispositivos que manipulam os consumo de combustível dos veículos, semelhante ao utilizado pela Volkswagen para manipular as emissões, os Estados-membros da União Europeia devem estender a investigação sobre os dispositivos que manipulam as emissões de CO2 e também aos veículos a gasolina. A diferença entre os dados oficiais de ensaio para as emissões de CO2/consumo de combustível e o desempenho em condições reais de condução aumentou para 40%, em média, em 2014, comparativamente com apenas 8% em 2001, de acordo com este estudo da T&E.

O estudo analisa o consumo de combustível em condições reais de condução (na estrada), destaca os abusos que os fabricantes de automóveis têm feito dos testes de emissão e do fracasso dos reguladores da UE para solucionar este problema. A diferença tornou-se um abismo e, sem uma ação reguladora, provavelmente irá crescer para 50%, em média, até 2020. Ao explorar as falhas do procedimento de teste (incluindo as diferenças conhecidas entre condições reais de condução e em laboratório) os veículos convencionais podem apresentar emissões de CO2 em estrada até 40-45% superiores do que o realmente medido em laboratório. Em alguns modelos, a diferença pode atingir mais de 50%.

Em média, os novos modelos da Mercedes têm uma diferença média de 48%, mas os novos modelos de classe A, C e E têm uma diferença de mais de 50%. O BMW Série 5 e Peugeot 308 estão abaixo dos 50%. As causas destas diferenças devem ser clarificadas o mais rapidamente possível. Esta distorção pode custar aos condutores uma média de 450 euros por ano em custos adicionais de combustível em comparação com o valor de consumo divulgado pela publicidade das marcas automóveis. Mas os fabricantes continuam a tentar atrasar a introdução de um novo teste de emissão (o Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure  - WLTP), programada para 2017.

Em média, dois terços dos benefícios reivindicados na redução de emissões de CO2 e de consumo de combustível desde 2008 foram conseguidos à custa de manipulação de resultados (apenas 13,3 gCO2/km de progresso obtido na estrada contra os 22,2 gCO2/ kmque os resultados baseados em testes de laboratório apontam). Isto significa que, nos últimos três anos, os novos veículos não têm sofrido melhorias na poupança de combustível pela melhoria da eficiência, na estrada. Apenas a Toyota terá cumprido a sua meta de 2015 sem explorar as flexibilidades do sistema de testes de emissão,  enquanto todos os outros fabricantes automóveis atingiram os seus limites legais explorando as falhas identificadas neste sistema.

Na Europa, os automóveis são responsáveis por 15% das emissões totais de CO2 e são a maior fonte de emissões dentro do setor dos transportes. A legislação europeia sobre limites de emissão de CO2 para os novos veículos ligeiros de passageiros exige que os fabricantes cumpram o valor máximo de 130 gCO2/km até 2015 e 95 gCO2/km até 2021.

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publicado por Quercus às 20:11

No rescaldo da crise VW: Quercus apela para rápida adoção de testes de emissão mais adequados e transparentes

Terça-feira, 29.09.15

A marca alemã Volkswagen esteve envolvida num escândalo sem precedentes na história da indústria automóvel. A marca foi acusada de fraude pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos da América (EPA), por incluir um dispositivo de "software" nos motores a gasóleo que permite reduzir as emissões de poluentes em laboratório, enquanto na estrada podem emitir entre 10 a 40 vezes para além do máximo permitido pela lei americana.

Mais de 11 milhões de veículos a gasóleo em todo o mundo (dos modelos Golf, Jetta, Beetle da Volkswagen e Audi A3), fabricados entre 2009 e 2015, com motores tipo EA 189 equipados com este dispositivo podem estar em causa. 

A Volkswagen poderá ter de pagar multas da ordem dos 18 mil milhões de dólares (mais os custos acrescidos da retirada dos veículos do mercado e ações em tribunal). Mas o grupo terá de enfrentar consequências bastante mais graves – como a demissão dos responsáveis, queda das ações no mercado bolsista e prejuízo da imagem da marca - , sendo que o assunto está a ser investigado pelas autoridades nos EUA e um pouco por todo o mundo.

As associações de defesa do ambiente têm alertado, nos últimos anos, as entidades competentes sobre a manipulação dos testes de emissão pelos fabricantes automóveis, quer nas emissões de CO2 (e consumo de combustível), quer de outros poluentes (como óxidos de azoto e partículas, com maior impacto na poluição das cidades).

Já na semana passada, a T&E - Federação Europeia para os Transportes e Ambiente, da qual a Quercus faz parte, tinha lançado o estudo “Don’t Breathe Here” que mostra que apenas 1 em cada 10 novos veículos a gasóleo cumprem as normas de emissão EURO 6, em vigor desde 1 de setembro.

Na Europa, dos 10 milhões de novos veículos comercializados em 2014, 7,5 milhões eram movidos a gasóleo. Estudos recentes indicam que, em média, os novos veículos ligeiros a gasóleo emitem cerca de cinco vezes acima do limite permitido, em condições reais de condução (na estrada).

Um novo sistema de testes está em discussão, a nível europeu, para atestar as emissões dos veículos a gasóleo em condições reais de condução, mas não será aplicável a todos os veículos antes de 2018. Entretanto, os fabricantes de automóveis continuam a atrasar a introdução do novo teste de emissão e a adoção de novos limites de emissão para os veículos.

A Quercus considera que a UE deve iniciar uma investigação alargada sobre todos os novos veículos colocados no mercado para identificar eventuais fraudes, exigir a retirada dos modelos fraudulentos e a compensação dos consumidores. 

Mais, a associação considera que a indústria automóvel deve concentrar-se na produção de veículos mais eficientes e com menores emissões poluentes na estrada, em vez de desenvolver mecanismos para contornar regras ambientais e enganar os consumidores, com prejuízo para o ambiente e a saúde pública.

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publicado por Quercus às 10:25

Expondo o papel do carvão na Europa

Quinta-feira, 10.09.15

transferir.jpgApesar de muitos reivindicarem que assuma a posição de líder na luta contra as alterações climáticas, a verdade é que a União Europeia (UE) ainda tem cerca de 280 centrais térmicas de carvão para produção de eletricidade, a operar em 22 países.

 

A maioria destas centrais tem mais de 30 anos, o que significa que são ineficientes, fortemente poluidoras e ultrapassadas. Em 2014, a queima de carvão foi responsável por 17% das emissões das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na UE.

 

Ainda assim, os países europeus continuam a investir dezenas de milhares de milhões de euros nesta indústria em declínio.

A Rede Europeia de Ação Climática (CAN-E, na sigla em inglês) expõe estes factos chocantes e perturbadores sobre o negócio de carvão no website Coal Map of Europe (www.coalmap.eu), hoje lançado. Baseando-se numa extensa pesquisa sobre esta indústria pouco transparente e com base numa variedade de fontes e dados públicos, a CAN-E conseguiu chegar aos aspetos chave da indústria do carvão e produzir oito mapas com os pontos mais cruciais das centrais termoelétricas a carvão.

Pela primeira vez é possível ter uma visão completa e abrangente do parque das centrais a carvão existentes e previstas, com informação adicional sobre poluição e impactes na saúde humana pela queima deste combustível. O "Coal Map" (Mapa do Carvão) também destaca como os governos ainda estão fortemente envolvidos nos interesses desta indústria através de empresas estatais e de subsídios.

 

Os cidadãos dizem NÃO ao carvão

 

O Mapa do Carvão apresenta quinze relatórios de contestações locais e nacionais contra centrais a carvão e minas. Da Escócia à Turquia, cidadãos e organizações não governamentais estão envolvidos em longas batalhas jurídicas para acabarem com o recurso ao carvão. E não sem sucesso: nos últimos anos, a maioria dos projetos de carvão foram cancelados.

A mobilização local está rapidamente a transformar-se numa história pan-europeia contra o carvão.

- Em Itália, uma central termoelétrica foi encerrada, por ordem judicial, em março de 2014, com base acusações de homicídio.

- Especialistas jurídicos conseguiram melhorias numa central a carvão na República Checa, pela ligação entre esta e as consequências climáticas que as ilhas da Micronésia estão a sofrer.

- Na Alemanha, o debate sobre a eliminação progressiva do carvão não é mais sobre se deve acontecer, mas sim quando e como.

- O Parlamento norueguês decidiu que o fundo nacional soberano se destina à alienação de várias empresas de carvão em todo o mundo, depois de meses de protestos internacionais.

 

Os países europeus ainda estão dependentes do carvão para a produção de eletricidade, mas as oportunidades de reduzir o recurso a esta fonte nunca foram tão boas como atualmente. As energias renováveis estão a crescer e a procura de energia a diminuir, de modo que empresas detentoras de centrais para produção de eletricidade a carvão já estão a perder milhões de euros por ano.

 

É preciso que mais governos atuem e acabem com o carvão na europa.

 

O carvão é um dos mais graves entraves na luta contra as alterações climáticas. Se a UE quer ser um líder nas negociações internacionais sobre o clima, então terá de renunciar a esta fonte energética.

 

Portugal sem carvão em 2030, mas deveria chegar lá tão cedo quanto possível

Em Portugal existem duas centrais. A central termoelétrica de Sines, com mais de 30 anos, que é a que tem maior potência no país); e uma mais recente, com cerca de metade da potência, no Pego.

O Programa Nacional para as Alterações Climáticas (PNAC 2020/2030) recentemente aprovado e publicado, assegura que as duas centrais existentes atingirão o fim da sua vida antes de 2030.

Porém, o contrato associado aponta para o final de exploração em 2017 no caso de Sines e alguns anos mais tarde na central do Pego, tendo havido já diversas declarações onde se assume que o período de funcionamento se vai estender em ambos os casos por mais alguns anos, facto que tem tido a discordância da Quercus.

 

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publicado por Quercus às 11:00

Boom das renováveis leva UE a superar metas de redução de GEE

Quinta-feira, 13.08.15

UE.jpgAs emissões de gases com efeito de estufa (GEE) na Europa estão a cair depressa, principalmente devido à rápida expansão das turbinas eólicas e dos painéis solares, que têm vindo a substituir os combustíveis fósseis na produção de eletricidade.

 

De acordo com dados da União Europeia, após adotarem medidas para redução das emissões de GEE, os países ultrapassam muitas vezes as suas metas. Esta conclusão é suportada por gráficos divulgados esta semana numa declaração da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês).


As estatísticas da UNFCCC mostram que os 37 países industrializados (além da UE) que assinaram o Protocolo de Quioto em 1997 - o primeiro tratado internacional para combater o aquecimento global - têm frequentemente excedido os cortes prometidos por uma larga margem.


Um baluarte para os governos


A declaração da UNFCCC afirma que "esta é uma demonstração poderosa de que os acordos sobre alterações climáticas não só funcionam como podem conduzir, posteriormente, a níveis de ambição ainda mais altos".

“A conclusão bem sucedida do primeiro período de cumprimento do Protocolo de Quioto pode servir de baluarte para os governos, numa altura em que eles se encontram a trabalhar com vista a um novo acordo climático global, a ser alcançado em Paris no próximo Dezembro".


Ao nível da União Europeia, os países líderes em 'fazer poupanças' são Alemanha, Suécia, França, Itália e Espanha, que contribuem para dois terços do total do continente europeu. No entanto, o conjunto dos 28 países está também a fazer progressos com vista a atingir a meta europeia de satisfazer 20% das suas necessidades energéticas a partir de fontes renováveis, até 2020. Já se chegou aos 15%.

Parte do plano da União Europeia para prevenir que algum dos 28 Estados Membros recue no cumprimento das metas acordadas passa por medir, a cada dois anos, o impacto da implementação de várias políticas na concretização dessas reduções.


Todos os Estados Membros têm de submeter pormenores sobre as poupanças alcançadas através da introdução das energias renováveis na produção elétrica, nos sistemas de calefação e refrigeração e ainda no setor dos transportes.

O último relatório da Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (com dados até 2012), mostra que nos três anos entre 2010 e 2012 as emissões de GEE da UE cairam 8,8%, como resultado da substituição dos combustíveis fósseis pelas renováveis.

 

Dois terços das poupanças foram conseguidos graças ao incremento alargado da energia eólica e solar. As renováveis utilizadas para a calefação e refrigeração representaram 31% e os transportes 5%. A maioria das renováveis utilizadas nos transportes baseou-se no uso de biocombustíveis em alternativa à gasolina e ao gasóleo.


A monitorização dos progressos alcançados no cumprimento das metas é vital para uma maior confiança entre os vários países, com a rápida aproximação das negociações de Paris. Permite também uma maior confiança política para se fazer promessas que possam ser cumpridas.


Objetivo ambicioso

 

A percepção de que a UE ultrapassará provavelmente a sua meta de redução de GEE de 20% em 2020, com base nos níveis de 1990, conduziu os ministros europeus a um objetivo ainda mais ambicioso - 40% de redução em 2030. Grande parte destas reduções será alcançada pela instalação de mais energias renováveis e pela aplicação de mais medidas de eficiência energética.


Por toda a Europa, as emissões variam bastante de país para país, com a Alemanha a registar o valor mais alto e Malta o mais baixo. A Alemanha tem também a maior redução absoluta das emissões - uma descida total de 23% em 2012 face aos níveis de 1990.

As maiores emissões per capita pertencem ao Luxemburgo (20 toneladas de dióxido de carbono por pessoa), seguido da Estónia (12,7 ton.), da República Checa (10,2 ton), da Alemanha (9,8 ton) e da Holanda (9,7 ton).

O conjunto de apenas cinco Estados Membros formado pela Alemanha, Polónia, Reino Unido, Itália e Roménia produziu dois terços das emissões da UE em 1990. A única mudança no ano de 2012 é que a Roménia deu lugar à Espanha neste grupo.

 

Traduzido do artigo original em inglês da Climate News Network.

 

 

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publicado por Quercus às 12:24





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