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Falta de ambição política atrasa ação climática e deixa mais longe o objetivo dos 1,5oC

Sexta-feira, 18.11.16

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Marraquexe, 18 novembro 2016 – Termina hoje a 22ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP22), a decorrer desde o dia 7 de novembro em Marraquexe. Apesar de, inicialmente, as expectativas serem elevadas quanto à definição de um roteiro ambicioso para a implementação do Acordo de Paris, a Quercus considera que a COP22 ficou aquém deste objetivo e não apresentou nada de novo em relação à COP21, em Paris.

A COP22 reuniu chefes de estado, chefes de governo e delegações de 197 países, que adoptaram por aclamação a Proclamação de Ação de Marraquexe, onde é reafirmada a “irreversibilidade da dinâmica climática” e a necessidade de “envolvimento político ao mais alto nível” de modo a que ação climática possa sustentar a concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável a bem das populações e do planeta. 

 

Muita retórica, mas pouca concretização

Os sucessivos apelos da sociedade civil são sustentados cada vez mais por robustos relatórios e estudos da comunidade científica, dando conta de que os objetivos nacionais de redução de Gases de Efeito de Estufa (GEE) estão obsoletos e são insuficientes para cumprir aquele que é o principal (e inovador) objetivo do Acordo de Paris: limitar o aumento da temperatura média do planeta o mais próximo possível dos 1,5ºC, acima dos níveis pré-industriais.

À data de hoje, o Acordo de Paris tinha sido já ratificado por 111 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, representando mais de 70% das emissões globais de GEE. Contudo, apesar de se incluírem aqui alguns dos maiores emissores mundiais de dióxido de carbono (CO2), é sabido que os atuais compromissos de redução de emissões e a falta de vontade para operar a transição energética necessária antes de 2020 conduzirão o planeta a um perigoso aumento da temperatura global superior a 3ºC. 

 

Onde está o financiamento climático?

Num protesto que decorreu ontem, às portas da COP22, os manifestantes exibiram cartazes com as letras ‘WTF’, um trocadilho usado para perguntar ‘Where’s the Finance?’(‘Onde está o financiamento?’). Alavancar a questão do financiamento climático era um dos requisitos chave para garantir o sucesso da COP22. Pedia-se um plano fiável e robusto que definisse de que forma os países desenvolvidos cumprirão a sua promessa de disponibilizar 100 mil milhões de dólares por ano (o designado Fundo Verde para o Clima da Organização das Nações Unidas).

 

União Europeia desilude

As organizações de defesa do ambiente europeias têm vindo a acusar a Comissão Europeia de ser incoerente entre a sua retórica nas negociações internacionais sobre o clima e a ausência de diálogo entre a própria UE e os seus Estados-Membros, enquanto se prepara o futuro pacote legislativo sobre energia.

No final deste mês, a Comissão Europeia irá divulgar o seu "Pacote de Inverno”, composto por oito propostas legislativas, incluindo uma revisão de várias Diretivas relativas às energias renováveis, eficiência energética e das regras de conceção do mercado europeu da eletricidade. Segundo o que tem sido apurado pelas organizações de defesa do ambiente que fazem parte da Rede Europeia de Ação Climática, a UE está em total contradição com os objetivos do Acordo de Paris, a avaliar pelos textos iniciais destas propostas, que circularam de forma não oficial, mostrando que a UE está a planear atenuar as suas políticas energéticas depois de 2020.

Os objetivos nacionais vinculativos em matéria de energias renováveis terminam em 2020, e a meta da UE para 2030 de 27% está pouco acima dos 24% que se prevê serem atingidos.

Outro ponto importante é a questão das emissões provenientes do transporte marítimo e da aviação internacionais, que ficaram de fora do Acordo de Paris. Tendo em conta o seu crescente impacto climático, isso poderá reverter os esforços de redução noutras áreas. 

 

Há um antes e um depois de Trump

A COP22 ficou inevitavelmente marcada pela eleição de Donald Trump como o próximo presidente dos EUA. Uma das suas promessas de campanha passa por tirar os EUA do Acordo de Paris e cortar o financiamento (de milhões de dólares) destinado aos programas da ONU de luta contra as alterações climáticas. Apesar de terem ratificado o Acordo de Paris, existem incertezas sobre e como Trump poderá – caso realmente o faça – desvincular os EUA do acordo climático global e pôr em causa o sucesso da sua própria implementação.

O Secretario de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou nas suas declarações na COP22, que a ‘grande maioria’ dos cidadãos norte-americanos apoiam medidas para suportar a ação climática.

Outro ponto em aberto é a Rússia que, sendo o terceiro maior poluidor mundial, ainda não ratificou o Acordo de Paris.

 

Prospeção de petróleo mancha bom desempenho de Portugal

Em simultâneo com a divulgação do Climate Change Performance Índex 2017, um índice que colocou Portugal entre os 10 países industrializados com melhor desempenho climático, o Primeiro-Ministro português António Costa afirmou na COP22 que os compromissos assumidos no âmbito do Acordo de Paris serão uma prioridade nacional. A grande aposta nas energias renováveis e a progressiva descarbonização do setor dos transportes foram os dois grandes argumentos mencionados. 

António Costa pretende que Portugal seja um exemplo, afirmando que está a ser preparada a revisão do Roteiro de Baixo Carbono para 2050, no sentido de “sermos neutros em emissões de gases com efeito de estufa até ao final da primeira metade do século".  

A política climática nacional pode considerar-se já obsoleta em relação aos objetivos que o país pode atingir, ficando-se por compromissos que praticamente já foram alcançados. Atualmente, Portugal já alcançou mais de 87% da meta definida para 2020 ao nível das energias renováveis, pela instalação de 12.300 megawatts de tecnologias renováveis, representando 61% da potência de toda a produção de eletricidade.

Para levar realmente a sério as ambiciosas e optimistas palavras do Primeiro-ministro, um sinal importante seria a recusa da exploração de hidrocarbonetos em Portugal, pelo cancelamento das atuais 15 concessões de prospeção e exploração destes combustíveis fósseis na costa portuguesa.

 

Fiji presidem à COP23, que será em Bona 

Neste momento, sabe-se já que a COP23 em 2017 será presidida pelas Ilhas Fiji – algo bastante significativo, na medida em que se trata de um pequeno país insular em desenvolvimento (os mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas) – e irá ter lugar em Bona, na Alemanha.

 

A participação da Quercus na COP22

A Quercus, membro da Rede Europeia de Ação Climática, acompanhou as negociações da COP22 diretamente de Marraquexe, tendo estando presente durante toda a Conferência, integrada na delegação oficial portuguesa, enquanto representante das ONGs nacionais de defesa do ambiente e da sociedade civil. Ma blue zone, de acesso mais restrito, a Quercus fez-se representar por João Branco, Presidente da Direção Nacional, e Luís Moreira, Coordenador do Grupo de Energia e Alterações Climáticas, que participaram em reuniões paralelas, nomeadamente com o Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

Para João Branco “é urgente alavancar a transição energética para uma economia de baixo carbono, que privilegie o investimento nas energias renováveis, em harmonia com as políticas de conservação da Natureza, e na eficiência energética, ao invés de alimentar o lobby dos combustíveis fósseis ou excluir das negociações setores altamente poluentes, como o transporte marítimo e a aviação internacionais.” Acrescentou ainda que “se a União Europeia pretende, tal como afirmado na COP22, liderar a ação climática, não pode deixar que a instabilidade do cenário político mundial abale a confiança na persecução dos objetivos selados em Paris”.

Este ano, e pela primeira vez, a Quercus esteve também representada através de um stand na Zona Verde tendo estabelecido inúmeros contactos com outras organizações da sociedade civil de Marrocos e os demais países participantes na COP22.

 

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publicado por Quercus às 16:56

Juncker alerta: alterações climáticas podem piorar a crise de imigração na Europa

Sexta-feira, 11.09.15

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, alertou recentemente para a absoluta necessidade de se chegar a um acordo climático ambicioso no final do ano, sublinhando que a subida da temperatura do planeta pode piorar a crise de imigração que a Europa enfrenta atualmente.

 

Em declarações no dia 9 de Setembro de manhã, Juncker referiu que 'não há tempo a perder' e que a União Europeia deverá lutar por um acordo ambicioso e não estar disposta a assinar qualquer documento.

 

Numa altura em que milhares de imigrantes entram na Europa vindos do Médio Oriente, despoletando uma crise entre Estados-membros sobre onde poderão ser acolhidos, Juncker alertou que o agravamento das consequências das alterações climáticas poderá piorar ainda esta situação e levar a mais levas de imigrantes que querem escapar a esses cenários.

 

"Estamos a atacar as causas profundas da próxima vaga de migrações nas próximas décadas", disse. "Porque amanhã de manhã, teremos 'refugiados ambientais' e não deveriamos ficar surpreendidos se os primeiros chegarem à Europa".

 

Juncker foi o último político a usar a crise de imigração para sublinhar a necessidade de ação climática. No início da semana, já o presidente francês François Hollande estabeleceu essa correlação, afirmando mesmo que "Nós não teremos centenas de milhares de refugiados nos próximos 20 ou 30 anos, mas sim milhões".

 

Adaptado deste artigo.

Imagem: http://i.telegraph.co.uk

 

 

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publicado por Quercus às 15:26

Publicação 'Sinais' da Agência Europeia do Ambiente: "Viver num clima em mudança"

Sexta-feira, 03.07.15

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As alterações climáticas e os seus impactes na Europa são o tema da edição de 2015 da publicação anual da Agência Europeia de Ambiente "Sinais".

"Signals 2015 - Living in a changing climate" apresenta, através de um conjunto de pequenos artigos e entrevistas, uma visão geral das causas das alterações climáticas e dos seus impactes ao nível da saúde humana, do ambiente e da economia. Explica de que forma as alterações climáticas estão a afetar a Europa e quais as expectativas quanto ao que vai acontecer no futuro.

O estudo fornece dados sobre os principais setores que contribuem para as alterações climáticas, focando os esforços desenvolvidos pela União Europeia em matérias de adaptação e mitigação. Dá ainda uma perspetiva mais aprofundada sobre vários tópicos - investimento, solos, oceanos e produção alimentar - no contexto de um clima em mudança.


Aceder ao documento: "Signals 2015 - Living in a changing climate"

 

 

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publicado por Quercus às 10:00

Vice-Presidente da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, na Conferência-diálogo «União da Energia» a decorrer em Lisboa

Quinta-feira, 02.07.15


Está a decorrer hoje, 2 de julho, entre as 13h30 e as 18h00 a Conferência-diálogo «União da Energia», na Fundação Champalimaud, em Lisboa.

Com o objetivo de debater a estratégia Europeia para a criação de uma União da Energia, esta Conferência-diálogo está inserida na visita a Portugal do Vice-Presidente da Comissão Europeia, Maroš Šefčovič, responsável pela União da Energia, acompanhado hoje também pelo Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva. 

A passagem de Maroš Šefčovič por Portugal enquadra-se numa série de visitas programadas pelos 28 Estados-membros da União Europeia, a decorrer até ao final de 2015, em que o Vice-Presidente Šefcovic irá apresentar os benefícios e as oportunidades que o documento estratégico da União da Energia, apresentado pela Comissão em fevereiro de 2015, poderá trazer a cada Estado-membro.

 

conferencia_uniao_energia_02072015.png

Página oficial:

http://ec.europa.eu/portugal/comissao/destaques/20150622_conferencia_uniao_energia_pt.htm

 

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publicado por Quercus às 15:29

Lisboa penúltima na avaliação do empenho na redução dos níveis de poluição de 23 cidades europeias

Terça-feira, 31.03.15

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É hoje divulgada, em Bruxelas, uma lista de cidades europeias que traduz os esforços das autoridades locais em implementar medidas para reduzir as emissões poluentes provenientes do tráfego rodoviário e melhorar a qualidade do ar. Nesta lista, Lisboa aparece em penúltimo lugar entre as cidades com pior desempenho na melhoria da qualidade do ar. 

A lista “SootFree Cities” é divulgada pelas organizações não-governamentais de ambiente Amigos da Terra Alemanha (BUND) e o Secretariado Europeu para o Ambiente (EEB), federação da qual a Quercus é membro. Em 2015, as duas organizações, também com a participação ativa da Quercus, avaliaram o desempenho de 23 cidades em 16 países europeus, tendo em conta nove categorias de critérios relacionados com os transportes, incluindo a promoção dos modos suaves (como andar a pé e de bicicleta), a gestão do tráfego urbano, a renovação das frotas públicas pela introdução de veículos mais limpos e eficientes, e os incentivos económicos para reduzir a poluição, tais como sistemas de portagens urbanas e tarifas sobre o estacionamento. Esta lista também teve em conta o progresso das cidades europeias na redução das emissões poluentes provenientes do tráfego rodoviário.

 

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publicado por Quercus às 12:08

Quercus, CAN e T&E analisam as metas de energia e clima para 2030: Líderes europeus estabelecem objetivos pouco ambiciosos

Sexta-feira, 24.10.14

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As novas metas europeias de política climática e energética até 2030, aprovadas na última madrugada em Bruxelas, são consideradas insuficientes pelas organizações não-governamentais de ambiente da Rede de Ação Climática (CAN, na sigla inglesa) e da Federação de Transportes e Ambiente (T&E), plataformas em que a Quercus está inserida:

- meta vinculativa de redução de pelo menos 40% das emissões de GEE;

- meta indicativa de redução do consumo de energia de pelo menos 27%;

- meta vinculativa de pelo menos 27% de energias renováveis.

As Organizações Não Governamentais estão dececionadas com a falta de ambição demonstrada pelos líderes reunidos no Conselho Europeu. As decisões da União Europeia (UE) não respondem à urgência de agir contra as alterações climáticas, como preconizado no último relatório do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), que será finalizado na próxima semana. Também não dão os incentivos necessários para a indústria europeia investir em tecnologias de baixo carbono. Metas mais ambiciosas para a eficiência energética e para as energias renováveis também aumentariam substancialmente a independência energética da Europa e seriam uma das melhores respostas para lidar com as ameaças da Rússia à Ucrânia e à UE.

Esta decisão foi o primeiro passo de um processo que será longo. É necessário trabalhar na elaboração de propostas legislativas que permitam demonstrar mais ambição da UE, de forma a criar uma dinâmica positiva para as negociações internacionais sobre o clima. Uma proposta melhorada será crucial para aumentar a capacidade da UE para negociar um acordo internacional adequado, com fortes compromissos de todos os principais emissores, a alcançar em Paris em dezembro de 2015.

Meta vinculativa de redução de pelo menos 40% das emissões de GEE 

A redução de emissões de GEE em pelo menos 40% não está claramente em linha com a ambição da mesma Europa que quer descarbonizar a economia até 2050. Esta meta também não dá um sinal claro relativamente aos incentivos necessários à indústria europeia para investir em tecnologias de baixo carbono e colher os benefícios económicos e de emprego de tais investimentos. Esta meta coloca a Europa em risco de ficar presa a uma infraestrutura energética de alto carbono, cara, bem como refém de uma mudança climática descontrolada e catastrófica.

Neste momento, é importante que a UE se concentre na expressão 'pelo menos' colocada à frente da meta de 40% e trabalhe para ir além desse número, com vista a um aumento da meta de redução de emissões.

Meta indicativa de redução do consumo de energia de pelo menos 27%

Os Estados-Membros enfraqueceram ainda mais a proposta ao adotarem uma meta não vinculativa de pelo menos 27%. Isto irá efetivamente retardar o progresso de redução do consumo de energia após 2020, em comparação com as tendências atuais. Ao baixar o nível de ambição na eficiência energética, os Estados-Membros estão a perder a batalha da segurança energética, enquanto desperdiçam a oportunidade para uma redução de emissões de baixo custo e para o crescimento do emprego verde na Europa.

Meta vinculativa de pelo menos 27% de energias renováveis

A meta também de 27% acordada para as energias renováveis é um claro retrocesso das políticas de desenvolvimento que estão atualmente em vigor, o que implica um desacelerar no crescimento deste setor. É uma meta fraca, que não reconhece a transformação no sistema energético europeu defendido por muitos cidadãos e muitos setores da indústria.

Esta meta, que está aquém do que muitos Estados-membros defenderam, incluindo Portugal, não está acompanhada de metas vinculativas nacionais. Isto significa que a Europa corre o risco de perder os potenciais benefícios que o desenvolvimento da indústria das energias renováveis tem para oferecer à sua economia, povo e do clima.

Meta para as interligações de 15%

Foi também acordado um patamar mínimo de interligações na rede elétrica entre todos os países da união de 10% até 2020, principalmente para os países que ainda não atingiram esta meta, como é o caso de Portugal e Espanha. Em relação a 2030, esta meta cresce para 15%. Esta é uma vitória importante para Portugal, que assim poderá apostar no setor das energias renováveis, produzindo eletricidade renovável para exportação e tornando este setor da economia verde cada vez mais relevante a nível nacional.

Setor dos transportes

Este pacote para 2030 não é suficiente para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e a redução das emissões GEE nos transportes, que representam a maior fonte de emissões de CO2 e são responsáveis por cerca de metade dos 400 mil milhões de euros da fatura de importação anual de energia da Europa. Apesar de conter mensagens genéricas, mas úteis, quanto à promoção da eficiência energética e à necessidade de acelerar a mudança para a mobilidade elétrica, o acordo prevê a possibilidade dos países incluírem unilateralmente as emissões dos transportes no Comércio Europeu de Licenças de Emissão (CELE). Esta medida não trará os efeitos esperados na redução das emissões, apenas adiando a necessária transformação do setor.

O acordo é escasso em detalhes sobre a promoção de energias renováveis ​​nos transportes. A maioria dos biocombustíveis (de produção agrícola) incorporados nos combustíveis rodoviários não trazem benefícios climáticos e a sua produção e consumo custam anualmente cerca de 6 mil milhões de euros à UE. No entanto, a Comissão Europeia já reconheceu que estes biocombustíveis não devem receber quaisquer apoios públicos após 2020.

Lisboa, 24 de outubro de 2014

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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publicado por Quercus às 14:08

Última Hora: UE fica-se pela redução de pelo menos 40% das emissões de gases de efeito de estufa até 2030

Sexta-feira, 24.10.14

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A União Europeia acaba de aprovar o pacote energético e climático até 2030, que estabelece um corte de pelo menos 40% das emissões de gases de efeito de estufa (GEE), em relação aos níveis de 1990. O anúncio foi feito no twitter pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

Os chefes de Estado e de Governo reunidos no Conselho Europeu, em Bruxelas, acordaram também metas de pelo menos 27% para o uso de energias renováveis e de 27% (não vinculativos) na eficiência energética.

Estes objectivos ficam aquém dos esperados pelas organizações não governamentais de ambiente, que defendem que para enfrentar as alterações climáticas e a dependência energética será necessária a adoção de três metas ambiciosas, coerentes e vinculativas até 2030: pelo menos 55% de redução de emissão de GEE, 40% de eficiência energética e 45% de energias renováveis.

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publicado por Quercus às 00:57

Indústria e sindicatos de acordo com ONG. Só faltam mesmo os Estados-membros…

Quarta-feira, 22.10.14

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Enquanto as negociações continuam a decorrer nos bastidores para conseguir ter um acordo na próxima sexta-feira sobre as metas para 2030 de energia e clima, vão sendo conhecidas outras posições bastante progressistas, a começar pela indústria.

O Prince of Wales's Corporate Leaders Group, onde estão representadas empresas como a Shell, EDF, Coca-Cola, Philips e Unilever defende pelo menos uma redução de 40% de emissões de gases de efeito de estufa (GEE), um aumento de 30% de renováveis e de 30% na eficiência energética.

Outra carta vinda da indústria e assinada pela Unilever, IKEA, Philips, entre outras, pede metas de pelo menos 40% nestas três áreas (redução de emissões, aumento de fontes renováveis e eficiência energética). Claro que a indústria das energias renováveis e da eficiência energética também tem uma posição progressista e ambiciosa sobre o que deve ser decidido neste Conselho Europeu. Na indústria europeia, só mesmo o “BusinessEurope” destoa, defendendo apenas uma meta para as emissões.

A Confederação Europeia de Sindicatos defende pelo menos 40% de redução de emissões de gases de efeito de estufa, pelo menos 30% de energias renováveis e 40% de redução de consumo de energia. Tudo em prol de mais emprego e qualificado em toda a Europa.

Pelos vistos, estamos (quase) todos de acordo, só falta os nossos eleitos concordarem com os restantes setores.

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publicado por Quercus às 17:35

Conselho Europeu de outubro decide amanhã metas de energia e clima para 2030 - Portugal entre os países mais ambiciosos

Quarta-feira, 22.10.14

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Amanhã, dia 23 de outubro, os líderes dos Estados-membros da União Europeia (UE) estarão reunidos no Conselho Europeu, em Bruxelas, para acordar as novas metas europeias no que respeita à política climática e energética até 2030, as quais poderão determinar o futuro destas políticas na UE nos próximos 15 anos e, indiretamente, nas décadas seguintes. As decisões a tomar serão cruciais para o Acordo Climático Global que se espera conseguir em Dezembro de 2015, em Paris.

Nos documentos-base que resultaram das várias reuniões de negociação entre os Estados-membros – e aos quais as organizações não governamentais tiveram acesso – o nível de ambição foi diminuindo ao mesmo tempo que aumentava a pressão para acordar metas tão importantes como redução das emissões de gases de efeito de estufa, energias renováveis e eficiência energética.

O texto que será acordado neste Conselho mostra-se abaixo do esperado pelas organizações não governamentais de ambiente e, praticamente, mantém o rumo atual. Neste cenário, Portugal e a UE darão um sinal político pouco ambicioso, perspetivando-se o agravamento das consequências das alterações climáticas, como secas mais graves e frequentes, inundações e eventos meteorológicos extremos.

Nas próximas décadas, os cidadãos europeus poderão vir a assistir ao aumento da fatura energética pela importação de combustíveis fósseis e a uma crescente dependência de fornecedores de energia, o que poderá ameaçar a segurança energética da UE. Irão também aumentar os custos com os impactos na saúde associados à poluição atmosférica, na medida em que Portugal e a UE arriscam perder a liderança na criação de novos empregos e de uma economia baseada em energias limpas, um compromisso que outros países (como a China) já assumiram perante a comunidade internacional nas últimas cimeiras climáticas.

Perante a iminência de um novo acordo climático a nível global, que deverá ser adotado em Paris no próximo ano, os cidadãos europeus estão na expetativa de conhecer as ações concretas que os líderes europeus irão tomar para combater as alterações climáticas. Os maiores progressos de política climática foram conseguidos quando a UE liderou o rumo das negociações.

A Quercus recorda ainda que, em setembro passado, milhares de pessoas manifestaram-se nas ruas em várias cidades por toda a Europa, incluindo Lisboa, Porto e Faro, apelando aos seus governantes para acelerar a sua ação climática (ver http://climaticas.blogs.sapo.pt). A associação espera que o primeiro-ministro de Portugal e os outros líderes europeus respondam a este apelo durante o próximo Conselho Europeu e assumam a liderança necessária para elevar o nível de ambição do seu Pacote Energia-Clima para 2030, colocando a Europa no caminho para uma economia mais verde e competitiva.

Para enfrentar dois dos maiores desafios da Europa, mas também de Portugal - as alterações climáticas e a dependência energética – é necessária a adoção de três metas ambiciosas, coerentes e vinculativas até 2030: pelo menos 55% de redução de emissão de gases com efeito de estufa (GEE), 40% de eficiência energética e 45% de energias renováveis.

Mais acresce que os mecanismos de solidariedade e investimento criados na UE para apoio à transição energética nos Estados-membros com menores recursos financeiros só devem ser usados para aumentar a eficiência energética e diversificar o “mix” energético através do desenvolvimento de energias renováveis.

O papel de Portugal

Durante todas as negociações, Portugal foi, através do Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, dos Estados-Membros mais ativos na negociação por metas mais ambiciosas para 2030, ainda que insuficientes na perspetiva das ONGs: meta vinculativa de pelo menos 40% na redução de GEE; meta vinculativa de 30% de energias renováveis (admitindo-se já 27%, mas com valores definidos país a país); meta vinculativa de aumento de 30% de eficiência energética.

Portugal tem procurado conseguir uma meta mais ambiciosa para as interligações elétricas (15%), em particular entre a Península Ibérica e França, quase só ajudado por Espanha e com a forte oposição de França. Algumas posições defendidas por Portugal causadoras de entropia (como exigir a contabilização das alterações de uso do solo e floresta no cumprimento das metas de redução de GEE) não devem ofuscar os objetivos que o país, de uma forma geral, tem procurado obter.

Consequências de um compromisso fraco

Um compromisso pouco ambicioso representa não só um retrocesso crítico para o futuro da política energética e climática europeias, mas também impede a UE de manter o seu objetivo, assumido internacionalmente, de limitar o aumento da temperatura média global a 2ºC.

A Quercus considera inaceitável que os líderes europeus ignorem o apelo de milhares de pessoas que se manifestaram por toda a Europa (centenas em Portugal) exigindo mais ação climática, mas também de empresas com bom desempenho no caminho de uma economia de baixo carbono e, mais grave ainda, da maioria dos países e regiões mais vulneráveis às alterações climáticas. É com enorme expectativa que a Quercus aguarda o desfecho negocial e as conclusões deste Conselho Europeu, crucial para o país, para a União Europeia e indiretamente para o mundo.

De uma Europa enfraquecida ou de uma Europa líder dependerão os objetivos a estabelecer em Paris em 2015. A Quercus espera que Portugal assuma e faça valer uma posição ambiciosa na definição de novas metas europeias para as próximas décadas.

Lisboa, 22 de outubro de 2014

A Direção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

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publicado por Quercus às 14:30

100 cidades europeias assumem compromissos de adaptação às alterações climáticas

Segunda-feira, 20.10.14

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Há pelo menos 100 cidades ou municípios europeus disponíveis para tomar medidas para combater as alterações climáticas, entre eles Águeda, Alfândega da Fé, Cascais, Ílhavo, Lisboa e Vila do Conde. A assinatura dos compromissos no âmbito da iniciativa "Mayors Adapt", da Comissão Europeia, teve lugar na quinta-feira, em Bruxelas (ver texto em português). 

"Tínhamos o objetivo de estabelecer uma rede de 50 cidades até ao final do ano, mas já dispomos de 100 e outras aguardam a sua vez de aderir. As nossas cidades estão a preparar-se para resistir contra as alterações climáticas. Trata-se de uma boa notícia para os cidadãos e as empresas. Uma boa preparação ficará muito mais barata do que despoluir posteriormente — e pode salvar vidas", salientou a Comissária Europeia responsável pela Ação Climática, Connie Hedegaard.

O projeto foi lançado em março, no âmbito do "Pacto de Autarcas", que se concentra nos esforços para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, enquanto o "Mayors Adapt" centra-se em medidas de adaptação. "Como principais concentrações de população e de infraestruturas, as cidades são particularmente vulneráveis aos fenómenos meteorológicos extremos e aos efeitos adversos das alterações climáticas. Os órgãos de poder local desempenham, por conseguinte, um papel fundamental na implementação de medidas de atenuação e adaptação às alterações climáticas", explica a Comissão Europeia.

Ao aderir à iniciativa, os autarcas beneficiarão de apoio a atividades locais de combate às alterações climáticas, de uma plataforma para a cooperação e de uma maior sensibilização do público em matéria de adaptação e das medidas que devem ser tomadas. A lista de signatários inclui também Barcelona, Copenhaga, Frankfurt, Glasgow, Munique, Nápoles e Paris. Mais informações em http://mayors-adapt.eu/. [Fonte: Comissão Europeia] [ver notícia no Notícias ao Minuto]

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publicado por Quercus às 16:30





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