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Quercus modera debate internacional sobre crescimento verde e fiscalidade verde

Quinta-feira, 11.12.14

O ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, promove hoje na COP20, em Lima, um evento paralelo sobre o Compromisso para o Crescimento Verde e a Reforma da Fiscalidade Verde, que será moderado por Francisco Ferreira, do Grupo de Energia e Alterações Climáticas da Quercus.

A iniciativa conta com a participação de Achim Steiner, diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Jos Delbeke, diretor-geral da Ação Climática da Comissão Europeia, Teresa Ribera, diretora do Institute for Sustainable Development and International Relations (IDDRI), e Yvo de Boer, diretor do Global Green Growth Institute.

O debate terá lugar entre as 15h e as 17h de Lima (20h/22h de Lisboa) na sala Bruxelas do pavilhão da UE.

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publicado por Quercus às 11:32

Ministro do Ambiente de Portugal interveio no diálogo ministerial de alto nível da Plataforma de Ação de Durban (ADP)

Quinta-feira, 11.12.14

Intervenção do ministro Jorge Moreira da Silva ao final da tarde (já perto da meia noite em Lisboa) no diálogo ministerial de alto nível da Plataforma de Ação de Durban (ADP), promovido pelo presidente da COP20, a conferência internacional que está a decorrer em Lima, Peru:

"Precisamos de um regime climático justo, alargado e custo-eficiente. Para o conseguirmos em Paris, temos de aqui em Lima acordar o processo relativo às contribuições nacionais (INDC), bem como as fases de consulta e análise das mesmas. Este processo é vital para assegurar que compromissos claros de mitigação são, não apenas consistentes com o objetivo de 2 ºC, mas que tal é também baseado na transparência e em informação comparável. Todas as Partes têm de contribuir para esforço global em linha com as suas responsabilidades e capacidades.

Esta ambição está completamente em linha com a nossa visão e ação em Portugal. Sendo um dos países da União Europeia mais afetados pelas consequências das alterações climáticas, na água e na degradação da nossa costa, conduz-nos a focar mais na adaptação do que outros países industrializados.

Mas tal não reduziu a nossa ambição e liderança na mitigação. Ultrapassámos as metas climáticas de 2012, e atingimos, este ano, 60% de eletricidade renovável, que é uma das maiores metas no mundo. Estando submetido a um programa de assistência económica, desde 2011 e concluído com sucesso no passado mês de maio, tal não reduzir a nossa vontade de um crescimento verde – foi aliás maior o empenho.

Acabámos de estabelecer uma visão para atingir 40% de energia renovável em 2030, o que significa mais de 80% de eletricidade renovável e 30 a 40% de redução de emissões de gases com efeito de estufa em 2030. Mais ainda, na passada semana, foi adotada uma reforma fiscal verde incluindo uma taxa de carbono nos setores não pertencentes ao comércio europeu de licenças de emissão.

As receitas desta reforma serão alocadas para reduzir os impostos sobre as pessoas singulares. Assim, estamos a cumprir o princípio de taxar mais o que ”queimamos” e menos o que se recebe. Não podemos pagar o preço político de um falhanço em Paris, mas tal vai depender, em último lugar, dos resultados desta COP. Vamos usar as próximas horas para juntar forças e gerar compromissos e não ficarmos presos aos antigos sentimentos habituais de incompreensão e desconfiança que nos têm impedido de conseguir um verdadeiro acordo global nos últimos 8 anos." 

[Actualização] Está agendada nova intervenção de Jorge Moreira da Silva para pouco depois das 10h de quinta-feira (15h de Lisboa), no plenário do segmento de alto nível da COP20 (ver agenda em PDF).

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publicado por Quercus às 00:23

Quercus na grande manifestação em Lima em defesa da Mãe Terra

Quarta-feira, 10.12.14

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A Quercus participou hoje numa grande manifestação, a maior alguma vez realizada na América Latina relacionada com o tema das alterações climáticas e que percorreu o centro da cidade de Lima no Peru. 

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Foram muitos milhares de participantes que se concentraram pelas 9h no Campo de Marte, um parque no centro e Lima e que depois pelas 10h iniciaram um percurso até à praça de São Martin, agravando ainda mais o já caótico trânsito da cidade.

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A extensão da manifestação, que reuniu organizações ambientalistas, representantes dos povos indígenas, sindicalistas, muita gente anónima que se associou ao protesto, ultrapassava bem mais de um quilómetro.

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Com muita cor, originalidade, música, animação, palavras de ordem de alerta aos governantes que participam na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP20), a necessidade de apostar nas energias renováveis e proteger as futuras gerações, principalmente nos países mais vulneráveis, foram os tópicos mais presentes.

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Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, muitos dos participantes na reunião paralela da sociedade civil, a Cimeira dos Povos, gritaram bem alto a sua voz, mesmo que a uns quilómetros da COP, essas vozes não pareçam ter chegado, porque as negociações estão no habitual impasse com apenas mais dois dias para o suposto final, com o “complicómetro” ligado, multiplicando alternativas aos textos-base e às opções sugeridas inicialmente.

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publicado por Quercus às 22:38

Mais um “Fóssil do Dia” para a Austrália

Quarta-feira, 10.12.14

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O alegado desconhecimento do significado do objectivo de limitar, a longo prazo, o aumento da temperatura média global a +2ºC, afirmado ontem pela Austrália, valeu a esta delegação mais um “Fóssil do Dia”. As ONG lamentam esta postura de ignorância intencional e questionam-se se a delegação leu, por exemplo, o último relatório do Banco Mundial, que descreve claramente porque precisamos de evitar um aumento da temperatura acima 1,5ºC ou 2ºC, um limiar que os países já acordaram.

Esta delegação afirmou também não entender a ideia de "solidariedade global"… Será que nunca viram uma fotografia da Terra vista do espaço? Se não, aqui fica a notícia: vivemos numa única biosfera e contamos com as comunidades de todo o mundo para a nossa segurança, alimentação e saúde. E estamos todos juntos quando se trata de impactos climáticos. Já era altura da Austrália levar estas negociações a sério. 

Vídeo da cerimónia do "Fóssil do Dia" e das razões para o descontentamento das ONG:

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publicado por Quercus às 18:45

Retomado segmento de alto nível da COP20 e divulgadas novas versões dos documentos em negociação

Quarta-feira, 10.12.14

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A sessão de hoje do segmento de alto nível (ver emissão em directo) começou com um grupo de jovens peruanos a entregar ao presidente da COP uma petição internacional com 2,2 milhões de assinaturas em defesa da meta dos 100% de energias limpas e renováveis [ver vídeo].

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Seguiu-se a intervenção do presidente do Peru, Ollanta Humala Tasso, que salientou a “urgente necessidade de convergência global de medidas para combater as alterações climáticas” que afectam o futuro do planeta e o bem-estar das gerações futuras.

O governante pediu também medidas de acção de cooperação que envolvam governos, empresas e sociedade civil. “Podemos estabelecer a maior aliança global contra um inimigo comum”, disse, reforçando a necessidade da aposta no Fundo Climático Verde, para o qual o Peru contribuirá com 6 milhões de dólares, anunciou.

O arranque da sessão conta ainda com as intervenções dos presidentes do Chile e da Colômbia, do vice-presidente da Argentina, e do secretário-geral das Nações Unidas. A intervenção do ministro português do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, está agendada para a sessão da tarde, que terá início às 20h de Lisboa foi adiada para a sessão de quinta-feira de manhã (início da tarde em Lisboa).

Entretanto, foram disponibilizadas as novas versões dos documentos que estão a ser negociados, nomeadamente a última revisão do texto da chamada decisão 1 da COP 17 e uma segunda versão dos elementos de negociação do futuro Acordo de Paris

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publicado por Quercus às 15:42

Movimentos sociais manifestam-se hoje em Lima na 'Marcha Mundial em Defesa da Mãe Terra'

Quarta-feira, 10.12.14

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A Cimeira dos Povos, um evento paralelo à COP20, que tem lugar em Lima de 8 a 11 de Dezembro, tem hoje um dos pontos altos, com a 'Marcha Mundial em Defesa da Mãe Terra'.

Os organizadores esperam reunir alguns milhares de representantes das organizações da sociedade civil, numa marcha de sensibilização e protesto contra as consequências das alterações climáticas, que terá lugar a partir das 9h locais (14h em Lisboa). A Quercus será uma das organizações participantes.

A iniciativa realiza-se no Dia Internacional dos Direitos Humanos, data em que as Nações Unidas comemoram a aprovação da Declaração Universal dos Direitos do Homem na assembleia geral realizada em Dezembro de 1948.

A Cimeira dos Povos foi inaugurada na segunda-feira pela presidente da câmara de Lima, Susana Villarán, numa intervenção momentaneamente interrompida por jovens com uma faixa alusiva ao conturbado despejo do mercado de La Parada, em 2012, que causou dois mortos e dezenas de feridos (vídeo anexo). 

 

A cimeira alternativa, realizada no Parque de Exposições da cidade, junta mais de dois mil representantes de sindicatos e ONG de ambiente, direitos humanos e povos indígenas, que irão discutir os desafios das alterações climáticas. Saiba mais sobre a Cimeira dos Povos em http://cumbrepuebloscop20.org

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publicado por Quercus às 00:05

Cerimónia de abertura do segmento de alto nível da COP20*

Terça-feira, 09.12.14

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[Actualizado] Acaba de começar o segmento de alto nível da COP20, que contará com as intervenções de Manuel Pulgar-Vidal, ministro do Ambiente peruano, presidente da COP20; Christiana Figueres, secretária executiva da Convenção Quadro da ONU sobre Alterações Climáticas (UNFCCC); Sam Kutesa, presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas; e Ban Ki-moon, presidente da Assembleia-geral das Nações Unidas. Intervirão, ainda, os primeiros governantes dos países representados nesta COP. (ver emissão em directo)

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"Hoje é um dia importante e uma semana crucial na nossa luta comum contra as alterações climáticas, diz, a abrir, Manuel Pulgar-Vidal. “Os próximos dias serão fundamentais para o futuro do planeta. Estou disposto a tomar as decisões necessárias para que possamos chegar a resultados tangíveis até ao final da semana”, diz o presidente da COP, que avisa os delegados que poderão perder algumas horas de sono nos próximos dias.

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Segue-se Christiana Figueres, que refere o antigo calendário Inca, que para esta altura prevê a época das sementeiras, e que, a par do calendário da ciência, bem como dos calendários das finanças, da tecnologia e da política, todos apontam que “é a hora para uma transformação profunda e fundamental” em direcção a um desenvolvimento que “salvaguarde os recursos em vez de os esgotar”.

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O orador seguinte é o presidente da Assembleia-geral das Nações Unidas, que recorda que as expectativas são elevadas. “Não podemos dar-nos ao luxo de ficar de braços cruzados, quando as alterações climáticas podem mudar profundamente o futuro do planeta. As provas são claras e incontestáveis, e os efeitos estão à vista de todos”.

Sam Kutesa salienta que a luta contra as alterações climáticas tem um custo e que são necessárias medidas de resiliência face aos impactos previstos. “É necessária uma vontade política colectiva para mudar para um modelo de baixo carbono, tendo por base um modelo de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, de acordo com as capacidades de cada país”, defende o ugandês.

O presidente da Assembleia-geral das Nações Unidas aproveita a oportunidade para anunciar a organização de um evento de alto nível a 29 de Junho de 2015, em Nova Iorque, a meio caminho entre as COP20 e 21, "para manter o impulso das negociações”.  

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O orador que se segue é Ban Ki-moon, com “uma mensagem de esperança e urgência”. “Temos de actuar já para manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2ºC acordados. Não é um momento para dúvidas, mas para transformação”, apela o secretário-geral das Nações Unidas, que também salienta os desenvolvimentos obtidos desde a Cimeira do Clima que promoveu em Setembro, em Nova Iorque.

Deixa também alguns apelos aos negociadores: “temos que produzir um projecto coerente e uma base clara e sólida para o acordo de 2015. Precisamos de um entendimento comum quanto ao âmbito de aplicação e às contribuições nacionais”, diz. Pede também o reforço das verbas destinadas aos países em vias de desenvolvimento, para medidas de mitigação e de perdas e danos.

Outro apelo dirige-se à sociedade e ao sector económico, que deve mobilizar-se no sentido de uma economia de baixo carbono e mais resiliente ao clima. Pede também aos países que adiram ao segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto e que os delegados ajudem a “dar forma a um acordo universal a concretizar em Paris no ano que vem”. Segue-se um momento cultural. 

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Começam agora as intervenções dos chefes de Estado e de Governo convidados para a cerimónia de abertura, com Evo Morales a abrir em nome do G77 e da China, bem como da Bolívia. “As alterações climáticas são um dos desafios mais graves dos nossos tempos, que ameaça a existência e sobrevivência dos países, incluindo dos menos responsáveis por estas mudanças. A luta contra as alterações climáticas deve respeitar o princípio das responsabilidades comuns mas diferenciadas”, defende Morales.

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Em nome da Bolívia, pede “um acordo climático baseado na vida e na Mãe Terra, e não na ganância e no capitalismo”, que beba da sabedoria dos povos indígenas. “Não pode haver um acordo climático que condene o planeta à morte em benefício de uns poucos e do mercantilismo capitalista”, diz Morales, condenando os “países desenvolvidos que abusaram e que são responsáveis pelo ‘ecocídio’ da Mãe Terra”.

O presidente do Estado Plurinacional da Bolívia pede também “tempo e transparência” nas negociações, embora lamente o insucesso da comunidade internacional. “Temos as mãos vazias e carregamos o peso do fracasso ao fim de 30 anos de negociações climáticas sem um acordo substancial”, lamenta, criticando "a hipocrisia, o racismo e o neo-colonialismo" dos países desenvolvidos.

E parece depositar pouca esperança na COP20. “Voltaremos a assistir a discursos cada vez mais sofisticados para dizer que avançámos alguma coisa e que há esperança no horizonte. Mas sentimo-nos traídos e cansados das consequências das alterações climáticas. Para que servirá reduzir 1 ou 2 graus se a próxima geração acabar cozinhada lentamente a temperaturas sufocantes?“, questiona.

Num longo discurso repleto de críticas ao “lucro, à ganância e ao 'Deus-dinheiro'”, Morales defende que “deter alterações climáticas não pode estar nas nãos de quem destrói a natureza, têm de ser os povos a encetar essa luta, assumindo o controle dos estados, da política e da economia, em benefício do planeta”. "É preciso outra mentalidade e outra sociedade que troque a ganância pelo dinheiro pela satisfação das necessidades humanas e pelo verdadeiro desenvolvimento que respeite a Mãe Terra”, reforça. 

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Segue-se o presidente da República de Nauru, também em nome da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), que faz um balanço crítico dos últimos anos e da aparente cegueira da comunidade internacional perante os avisos da comunidade científica e as evidências das alterações climáticas. Pede liderança através do exemplo, e salienta que os pequenos estados insulares estão entre aqueles que já assumiram as maiores metas de redução de emissões. 

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A cerimónia prossegue agora com a intervenção do primeiro-ministro de Tuvalu, que diz continuar a depositar esperança nas negociações no âmbito da Convenção Quadro da ONU sobre Alterações Climáticas, mas reforça a siutação de vulnerabilidade das ilhas do Pacífico. “Vamos sobreviver ou desapareceremos debaixo do mar, é este o dilema que me provoca insónias", revela Enele S. Sopoaga. “Pensem nisto, o que fariam neste cenário? Estamos perante a maior crise moral da humanidade, não há lugar para ser neutral, é tempo de actuar, sob pena de condenar as próximas gerações a um mundo infernal”. 

O governante de Tuvalu defende que devem ser ignorados os líderes “ocos” que defendem os interesses da indústria dos combustíveis fósseis e não os dos seus cidadãos, e diz que o recente acordo entre a China e os Estados Unidos, bem como outros compromissos recentes, são "um sinal de luz" num futuro potencialmente sombrio. Pede, ainda, que não se repita o fracasso da COP15, em Copenhaga, e que sejam tomadas as acções urgentes pedidas pela comunidade científica e pela socidedade.

“Quando saírem, olhem nos olhos da primeira criança e imaginem o que verão esses olhos dentro de duas décadas: um inferno, ou um planeta mais sustentável. Espero que 2015 seja o ano em que salvamos a Terra e em que salvámos Tuvalu", remata. Segue-se Mohamed Gharib Bilal, vice-presidente da Tanzânia, em nome do comité africano de chefes de Estado e de Governo, que pede aos países desenvolvidos que respeitem os compromissos de financiamento já assumidos em fóruns anteriores. 

Após uma pausa para saída destes primeiros convidados, terão lugar as intervenções das restantes delegações nacionais e regionais, a começar pela da União Europeia, pela voz do ministro do Ambiente italiano, Gian Luca Galletti, e do comissário europeu da Ação Climática e Energia, o espanhol Miguel Arias Cañete. A intervenção do ministro português do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva está agendada para amanhã à tarde. A restante emissão do segmento de alto nível pode ser acompanhada aqui. [ver vídeo integral da cerimónia de abertura]

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Entretanto, no exterior do pavilhão da conferência, alguns grupos registam a participação nesta COP20. 

(*acompanhamento em directo)

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publicado por Quercus às 15:06

Prémios de “mau comportamento” para a Arábia Saudita, União Europeia e Peru  

Terça-feira, 09.12.14

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Há dois estreantes nos prémios “Fóssil do Dia”, com a Arábia Saudita a distinguir-se negativamente no sábado, e o Peru a conquistar o primeiro galardão desta segunda semana da COP20, na segunda-feira, dado que domingo foi dia de descanso.

A delegação saudita desagradou às ONG da Rede de Ação Climática ao pronunciou-se fortemente contra o reconhecimento da igualdade de género no processo de implementação, um preconceito considerado inaceitável. E a União Europeia foi arrastada no processo, ao apoiar publicamente a retirada das referências à igualdade de género.

Ontem, segunda-feira, apesar da boa prestação do ministro do ambiente peruano na condução da COP20, o país anfitrião não se livrou de ser considerado o “Fóssil do Dia”, em virtude da incoerência de algumas medidas governamentais. 

A recente aprovação da "Ley Paquetazo", ou Lei 30230, que separa a proteção ambiental do crescimento económico, levanta sérias preocupações de enfraquecimento da capacidade dos organismos ambientais peruanos para regular e fiscalizar actividades económicas como a energia e o desenvolvimento de infra-estruturas, que podem afectar o ambiente.

As ONG receiam que ao enfraquecer o Ministério do Ambiente, alguns elementos do governo peruano estejam a tornar mais difícil para o Peru tomar uma ação climática eficaz e adequada face às questões sociais nacionais. Esta é uma preocupação real para o povo peruano e será discutida na Cimeira dos Povos, que começou ontem no Parque de Exposições.

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publicado por Quercus às 10:24

Demasiadas páginas, mas agora começou verdadeiramente a COP

Segunda-feira, 08.12.14

Foram publicados hoje às 8h da manhã (apesar da hora referida nos documentos ser 6h30) dois textos fundamentais -  por um lado, o texto da chamada decisão 1 da COP 17 (realizada em Durban há 3 anos atrás), e que é a concretização da missão do grupo de trabalho constituído nessa Conferência (o “ADP” = Ad Hoc Working Group on the Durban Platform for Enhanced Action), isto é estabelecer os princípios de um novo Protocolo mundial (que se irá à partida concretizar naquilo que se tem designado por “Acordo de Paris”).

São 18 páginas, muito dedicadas às chamadas contribuições nacionais, isto é, aos compromissos que cada um dos países assumirá no referido Acordo de Paris, principalmente em termos de redução de emissões. Havia já uma anterior versão deste documento, mas esta é agora a principal base negocial. 

O outro texto, em articulação com o anterior, tem 33 páginas, e é a primeira versão dos elementos de negociação do futuro Acordo de Paris. Trata-se de matérias muito complexas que estão agora a ser analisadas pelos vários países e também por vários grupos de trabalho das organizações não governamentais de ambiente. A primeira avaliação é positiva, havendo porém um conjunto de aspetos críticos que deverão ser melhorados. Por exemplo, no texto não se fala da diferenciação entre países, sendo que os com maiores contribuições em termos de emissões (no fundo, maior responsabilidade para o problema das alterações climáticas) e com maior capacidade de ação, precisam de assumir maiores compromissos.

Falta também preparar uma forma dos compromissos assumidos pelas Partes (países) poderem ser avaliados e revistos, dado que esse trabalho é necessário para garantir um aquecimento abaixo de 2 graus Celsius em relação à era pré-industrial – aí é fundamental assegurar a possibilidade de participação de observadores como as ONG. Por último, é preciso abordar seriamente as questões de adaptação e o financiamento (para mitigação e adaptação), nomeadamente nos compromissos nacionais (as Intended Nationally Determined Contributions - INDC) traçando o caminho para se atingir 100 mil milhões de dólares por ano em 2020. (ver todos os documentos disponíveis)

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publicado por Quercus às 22:15

Portugal é o 4º país com melhor desempenho entre os 58 países mais industrializados (CCPI 2015)

Segunda-feira, 08.12.14

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O Climate Change Performance Index (CCPI) é um instrumento inovador que traz maior transparência às políticas climáticas internacionais. O índice é da responsabilidade da organização não governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Ação Climática. A Quercus, que integra esta Rede, colaborou na avaliação qualitativa pericial efetuada a Portugal. O anúncio é feito hoje, 8 de dezembro, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP20), que está a ter lugar em Lima, no Peru.

Portugal ficou classificado em 7º lugar (onde os 3 primeiros não foram atribuídos) em termos de melhor desempenho relativamente às políticas na área das alterações climáticas. Esta é uma classificação que compara o desempenho de 58 países que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia. Na prática, Portugal é o 4º melhor país, tal como ano passado, na medida em que os três primeiros lugares ficaram vazios, por se considerar não haver, por agora, nenhum país merecedor do pódio no que respeita à proteção do clima. O objetivo do índice é aumentar a pressão política e social, nomeadamente nos países que têm esquecido o trabalho nacional no que respeita às alterações climáticas. O ano passado Portugal obteve o terceiro lugar do índice, que foi entretanto revisto para quarto face a uma atualização da série de dados da Agência Internacional de Energia em que o índice se baseia.

A metodologia revista é centrada principalmente em indicadores objetivos: 80% da avaliação é baseada em indicadores de emissões (30% função dos valores de emissões e 30% função da evolução recente das emissões), eficiência (5% relacionado com nível de eficiência energética e 5% com a evolução recente), e ainda o recurso a energias renováveis (8% em função da evolução recente e 2% função do peso do total de energia primária de fontes renováveis). Os restantes 20% baseiam-se na avaliação de mais de 300 peritos dos países analisados, tendo a Quercus intervindo neste critério. O CCPI2015 foca-se particularmente na questão da política nas áreas das energias renováveis e eficiência energética, por se considerar que estas são as principais vias para a mitigação das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), e considera também as emissões associadas à desflorestação.

Tal como no ano passado, há, na opinião dos peritos, uma insatisfação generalizada em relação às medidas tomadas por cada país para assegurarem, à escala global, um aumento de temperatura inferior a 2ºC, em relação à era pré-industrial.

Portugal mantém 4º lugar

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Neste décimo ano do CCPI, Portugal mantém a mesma posição em relação ao ano passado, melhorando em diversos indicadores, principalmente no que respeita ao nível de emissões, mas piorando na evolução recente das emissões associadas ao uso residencial e edifícios e à produção de eletricidade. Deve-se ter em conta que os dados usados e mais recentes à escala global são provenientes da Agência Internacional de Energia e relativos a 2012. Já na componente de política climática, avaliada para o ano de 2014, Portugal melhorou a cotação recebida, apesar de perder dois lugares em cada um dos rankings relativos às componentes nacional e internacional.

Portugal obtém neste índice de 2015 a classificação geral de “bom”, não havendo nenhum país com “muito bom”. Nos critérios ‘nível de emissões’, ‘evolução de emissões’ e ‘energias renováveis’ o resultado foi “moderado”; nos critérios ‘evolução da eficiência’ e ‘política climática’, o resultado foi “bom”. Pela consistência de valores nos vários critérios e por comparação com os outros países, o resultado final foi considerado “bom”, estando entre os países com melhor performance.

Na crise, Portugal e Espanha com dois caminhos diferentes, Grécia a recuperar

Os países europeus mais afetados pela crise económica têm tido um comportamento diversificado em termos de política energética e climática. Portugal é um exemplo de como lidar com a crise económica, obtendo resultado das políticas climáticas e reduzindo a dependência de recursos, lucrando com investimentos, realizados em governos anteriores, em áreas chave, como as energias renováveis, ainda que alguns destes investimentos comprometam a biodiversidade e a integridade de áreas classificadas e relevantes para a conservação da natureza.

Por enquanto, Portugal manteve a sua posição, a qual pode estar contudo ameaçada pela política do atual governo, que já abrandou alguns dos investimentos benéficos, em particular nas energias renováveis e na diversificação de fontes. Por outro lado a Espanha, retirando toda a dinâmica de investimento nas energias renováveis e com uma pior política internacional na área do clima, desce oito posições em relação ao ano anterior. Sob os efeitos da crise e do controlo económico da ”troika”, a Grécia abandonou numa primeira fase todas as políticas climáticas, mas está já a recuperar algumas posições.

Países marcantes no índice

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A Dinamarca mantém a 4ª posição (na prática a primeira, dado os três primeiros lugares estarem por preencher), face às suas políticas de redução de emissões e investimento em energias renováveis. A Suécia conseguiu reduzir em 70% as suas emissões no setor residencial nos últimos cinco anos e por isso merece a 5ª posição (na realidade 2º lugar). Marrocos, com metas elevadas para as energias renováveis, é o melhor país em desenvolvimento e atingiu o Top 10 pela primeira vez. A desaceleração do uso de energias renováveis penalizou a Alemanha que se mantém em 22º lugar. A Índia melhorou a sua posição pelo baixo nível de emissões de dióxido de carbono per capita, mas o total de emissões aumentou 40% nos últimos 5 anos.

Os Estados Unidos da América mantêm a sua posição apesar de alguma redução de emissões no setor dos transportes. A China é foco de grandes contradições, com um abrandamento do aumento das emissões, mas com enormes investimentos em energias renováveis insustentáveis (grandes barragens e biomassa), para além da aposta em novas centrais nucleares. O Brasil perdeu 14 lugares pelo decrescimento de indicadores em todos os setores, sendo que se prevê uma melhoria no próximo ano devido á redução da desflorestação. Nos últimos lugares, resultado da ausência de uma política climática ou devido a uma dependência enorme do uso de petróleo, encontramos o Canadá, Cazaquistão, Austrália e Arabia Saudita. [ver CCPI 2015]

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publicado por Quercus às 15:58